Zika é desafio de longo prazo para saúde pública, diz OPAS

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Há um ano, surto do vírus e aumento de transtornos neurológicos e malformações congênitas levaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma emergência de saúde pública internacional. Atualmente, o zika deixou de ser uma emergência, mas traz desafios a longo prazo para a rede pública de atendimento. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) continua ajudando Estados-membros a desenvolver novos métodos de controle de vetores e vacinas.

Mãe alimenta o filho com microcefalia em Pernambuco. Foto: UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

Mãe alimenta o filho com microcefalia em Pernambuco. Foto: UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

Em fevereiro de 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou como emergência de saúde pública de importância internacional a rápida propagação do vírus zika e o aumento de transtornos neurológicos e malformações congênitas. Um ano depois, o surto da doença continua e preocupa países e outros organismos internacionais, como o escritório regional da OMS, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

De acordo com as duas agências de saúde da ONU, o vírus já está presente em 76 países do mundo e continua a se espalhar geograficamente para áreas onde existem vetores que transmitem a doença. Nas Américas, 48 nações e territórios confirmaram a transmissão do vírus zika por meio da picada de mosquitos desde 2015, e cinco Estados notificaram casos por transmissão sexual.

Mais de 200 mil ocorrências de zika foram registradas, mais da metade no Brasil, além de 2.618 casos de bebês nascidos com a síndrome congênita do zika, a maioria também no território brasileiro.

“Embora em alguns países e partes de países tenha se observado um declínio nos casos, a vigilância deve se manter alta”, apontam as avaliações mais recentes da OMS.

O gerente de incidentes da OPAS para zika, Sylvain Aldighieri, lembra que, quando grupos de bebês com microcefalia e episódios da síndrome de Guillain-Barré foram notificados ao mesmo tempo e no mesmo lugar dos surtos de zika durante os últimos meses de 2015, a agência começou a publicar uma série de advertências regionais.

“Depois que a OPAS montou uma resposta regional robusta ao surto, um ponto de inflexão veio em janeiro de 2016, quando a investigação proporcionou a primeira evidência sobre a ligação entre o vírus zika e a microcefalia em bebês nascidos no Nordeste do Brasil”, afirmou.

Isso levou à declaração da OMS de emergência de saúde pública de importância internacional no dia 1º de fevereiro do ano passado. Desde então, o zika se espalhou rapidamente não só pelas Américas, mas também para outras regiões do mundo.

Ações da OPAS

Nas Américas, a OPAS continua fornecendo apoio técnico aos Estados-membros em todos os aspectos da vigilância e controle do zika, com atenção especial para o manejo clínico, serviços laboratoriais e controle dos mosquitos-vetores do vírus e também da dengue, chikungunya e febre amarela urbana.

Parceiros regionais estão envolvidos nas investigações sobre a contenção dos vetores, que incluem estudos-piloto de novas metodologias de controle, como é o caso dos mosquitos infectados pela bactéria Wolbachia. A OPAS considera que ferramentas cruciais na luta a longo prazo contra o zika são a educação comunitária e a participação dos próprios cidadãos na eliminação dos criadouros de mosquitos.

Enquanto não há tratamento para o vírus zika, pesquisadores estão trabalhando em vacinas, com cinco potenciais candidatas já encaminhadas para ensaios clínicos. Mais de 1,5 mil trabalhos de investigação foram publicados, confirmando que o vírus pode infectar mães e fetos e matar as células cerebrais, causando uma variedade de defeitos de nascimento.

A OPAS informa ainda que especialistas continuam encontrando uma ampla gama de consequências provocadas pela “síndrome congênita do vírus zika” — entre eles, anomalias cerebrais, defeitos no tubo neural, anomalias nos olhos, problemas auditivos, irritabilidade, convulsões e dificuldade na alimentação, além de outros sintomas.

A agência da ONU lembra ainda que, atualmente, especialistas consideram o zika como um desafio de longo prazo para a saúde pública, tal como definido pela declaração do Comitê de Emergência da OMS sobre a doença. Em novembro de 2016, a epidemia de zika deixou de ser considerada uma emergência internacional pela OMS.


Mais notícias de:

Comente

comentários