Voluntariado traz soluções em momentos de crise, avaliam especialistas

Para celebrar o Dia Internacional do Voluntário, lembrado anualmente pela ONU em dezembro (5), o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV) e a organização não governamental Atados reuniram 180 pessoas nesta segunda-feira (11), no Rio de Janeiro, para uma manhã de debate sobre a importância do voluntariado em situações de crise — sejam elas humanitárias, políticas ou econômicas.

“Em tempos de crise, normalmente, a gente culpa o governo ou alguma empresa que causou algum problema. As pessoas que não são parte desse contexto que criou a crise podem ajudar a solucioná-la”, defendeu Daniel Morais, fundador da Atados.

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Para celebrar o Dia Internacional do Voluntário, lembrado anualmente pela ONU em dezembro (5), o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV) e a organização não governamental Atados reuniram 180 pessoas nesta segunda-feira (11), no Rio de Janeiro, para uma manhã de debate sobre a importância do voluntariado em situações de crise — sejam elas humanitárias, políticas ou econômicas.

“Falta dinheiro e falta tempo”, avaliou Daniel Morais, fundador da Atados, sobre as atuais dificuldades em mobilizar pessoas e convencê-las a trabalhar de forma solidária.

“Em tempos de crise, normalmente, a gente culpa o governo ou alguma empresa que causou algum problema. As pessoas que não são parte desse contexto que criou a crise podem ajudar a solucioná-la”, defendeu Morais durante o Fórum Social Tendências e Possibilidades para 2018.

Apesar dos desafios, a ONG criada por ele e outros colegas mostra que o brasileiro tem se interessado mais pela prática do voluntariado. Há cinco anos operando em São Paulo e dois, no Rio, a Atados é uma plataforma online que conecta pessoas que querem ser voluntárias a instituições que precisam de apoio em suas atividades. Atualmente, o portal conta com 1.243 organizações cadastradas e já recebeu mais de 71 mil inscrições de interessados em trabalhar voluntariamente.

“A tecnologia facilita o engajamento social. Em pesquisas, a gente vê que mais de 80% da população quer fazer um trabalho voluntário e buscar uma mudança, só que menos de 10% realiza isso”, acrescentou o empreendedor.

Também presente, Henrique Silveira, coordenador-executivo da Casa Fluminense, lembrou que o voluntariado pode fortalecer a participação da sociedade civil em processos políticos. Para o geógrafo e mestre em Comunicação e Cultura, é necessário “ampliar o monitoramento cidadão” de políticas, da sua concepção à implementação.

Acompanhar o planejamento de iniciativas do governo pode ser uma forma de cobrar soluções do poder público e informar a sociedade, defendeu o especialista.

“Se tem alguém em Queimados que quer acompanhar o plano de mobilidade da cidade, essa pessoa pode participar das reuniões do Conselho Municipal, produzindo relatos e compartilhando conteúdo”, explicou Silveira.

Na avaliação do gestor, “existe uma demanda social hoje, provocada pela crise política, de participação”. “A gente pode cruzar a necessidade de monitoramento das políticas públicas” com a vontade de quem quer atuar como voluntário, completou o coordenador.

Mônica Villarindo, associada do UNV Brasil, lembrou o tema das Nações Unidas para o Dia Internacional do Voluntário de 2017: “Voluntários, os primeiros a agir. Aqui e em toda parte”.

A data está sendo observada pelo organismo internacional para honrar a dedicação de milhares de profissionais que atuam em contextos de crise humanitária, levando serviços essenciais para populações em situações de conflito e catástrofes naturais. Os participantes do UNV estão na linha de frente da resposta a emergências.

Os voluntários da ONU também podem participar de iniciativas em países em desenvolvimento que não passam por crises humanitárias. Nesses casos, o envolvimento desse time de trabalhadores contribui para a construção de sociedades mais sustentáveis, igualitárias, justas e resilientes.

Em 2016, a ONU recebeu o apoio de 6,6 mil voluntários. Essa força-tarefa atuou in loco, fornecendo assistência para as populações de 126 países. Outros 12,6 mil profissionais colaboraram com as Nações Unidas por meio virtual, trabalhando como voluntários à distância.