Volta de conflito em estado no Sudão do Sul provoca nova onda de refugiados

Cerca de 100 sudaneses fogem diariamente da violência para a cidade fronteiriça de Yida. Mas ACNUR alerta que o campo não é totalmente seguro por estar muito próximo da fronteira.

Mulheres e crianças sudanesas esperam tratamento de desnutrição no campo de refugiados de Yida. Foto: ACNUR / K.MahoneyUma nova onda de conflitos no estado de Kordofan do Sul do Sudão entre forças do governo e um grupo rebelde desencadeou mais uma leva de refugiados que procuram abrigo contra a violência, anunciou hoje (25) o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

De acordo com a mídia, intensos combates entre as Forças Armadas Sudanesas e o Exército de Libertação do Povo Sudanês (SPLA-Norte), incluindo ataques terrestres e bombardeios aéreos, levou a um êxodo diário de cerca de 100 pessoas para a cidade fronteiriça de Yida no vizinho estado de Unity.

“Como a tensão está surgindo novamente em áreas fronteiriças, continuamos extremamente preocupados com a segurança dos refugiados no acampamento de Yida”, a porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, disse em coletiva de imprensa em Genebra (Suíça).

“A presença de um assentamento de refugiados em zonas de fronteira altamente militarizadas perto de zonas de conflito dificulta os esforços para preservar o caráter civil e humanitário do refúgio”, acrescentou, apontando que a segurança dos refugiados em Yida não poderia ser garantida e que o ACNUR está trabalhando para mudar a comunidade de refugiados para um local mais seguro.

Há cerca de 200.000 refugiados sudaneses atualmente no Sudão do Sul, com mais de 170.000 localizado nos estados do Alto Nilo e de Unity. Eles chegaram dos estados Kordofan e do Nilo Azul depois de fugir de conflitos e da escassez de alimentos nos últimos meses.

O ACNUR precisa de 186 milhões de dólares para financiar esta operação e poder fornecer assistência aos refugiados sudaneses. No entanto, até o momento a agência recebeu apenas 40% deste valor.