Visita de especialista da ONU à Palestina é cancelada por falta de cooperação do governo de Israel

Segundo a relatora da ONU sobre a violência contra as mulheres, uma visita ao território palestino ocupado para tratar do tema teve de ser cancelada “até novo aviso” por falta de apoio das autoridades de Israel, incluindo o visto para entrar no país.

Mulheres palestinas caminham próximo ao muro construído por Israel na região, perto de Ramallah, na Cisjordânia. Foto: IRIN/Shabtai Gold

Mulheres palestinas caminham próximo ao muro construído por Israel na região, perto de Ramallah, na Cisjordânia. Foto: IRIN/Shabtai Gold

Uma visita oficial à Palestina que seria realizada por uma especialista de direitos humanos das Nações Unidas no território ocupado por Israel foi cancelada na sexta-feira (16) até “novo aviso”. O motivo, disse a especialista por meio de um comunicado, foi a falta de cooperação do governo israelense.

A relatora especial da ONU sobre a violência contra as mulheres, Rashida Manjoo, visitaria o território ocupado palestino, a convite da Autoridade Palestina, entre os dias 19 e 29 de janeiro de 2015 para avaliar, em primeira mão, questões relacionadas à violência contra mulheres.

“Nas últimas seis semanas, tenho procurado repetidamente a cooperação do Governo de Israel a fim de facilitar o acesso ao território palestino ocupado para que eu realize esta visita. Infelizmente, eu não recebi o apoio necessário, incluindo um visto do Governo de Israel, para a minha viagem, que está agendada para amanhã”, disse Manjoo.

“É lamentável que tenha sido negada a mim a oportunidade de se envolver diretamente com mulheres sobreviventes de violência, e que o exercício do meu mandato tenha sido dificultado pela falta de vontade do Governo de Israel, como potência ocupante, para facilitar o acesso ao território palestino ocupado”, acrescentou a relatora especial da ONU.

Minha intenção, de acordo com a prática durante as minhas visitas aos países, foi a de apoiar a Autoridade Palestina a reforçar a sua capacidade de proteger e promover os direitos das mulheres e para cumprir as suas obrigações internacionais de direitos humanos.

O programa da visita incluiria reuniões com autoridades palestinas, agentes de aplicação da lei, representantes de organizações da sociedade civil e sobreviventes de violência em diferentes locais. Além disso, a relatora visitaria prisões, campos de refugiados e abrigos para mulheres vítimas de violência, entre outros.

“Gostaria de expressar a minha gratidão a todos aqueles que estiveram envolvidos no apoio à organização desta visita, em particular, à Autoridade Palestina, os representantes das organizações da sociedade civil, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos [ACNUDH] e à equipe de país das Nações Unidas”, disse ela, acrescentando: “Continuo interessada em visitar o território palestino ocupado, e apelo ao Governo de Israel, como potência ocupante, para facilitar o acesso ao território.”