‘Vire a maré’ de um mundo em turbulência, pede chefe da ONU em fórum de desenvolvimento

“Soluções concretas, arrojadas e implementáveis” são necessárias para virar a maré dos muitos desafios que o mundo enfrenta, incluindo a pandemia de COVID-19, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na terça-feira (14), durante fórum das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável.

Apontando para mais de 12 milhões de infecções, 550 mil mortes, centenas de milhões de empregos perdidos e o maior declínio na renda per capita desde 1870, o principal funcionário da ONU lamentou que “cerca de 265 milhões de pessoas estejam sob risco de insegurança alimentar aguda até o final do ano – o dobro do número anterior à crise”.

Entrega de ajuda humanitária a uma mulher em meio à pandemia de COVID-19 em Dhaka, Bangladesh. Foto: ONU Mulheres/Fahad Kaizer

Entrega de ajuda humanitária a uma mulher em meio à pandemia de COVID-19 em Dhaka, Bangladesh. Foto: ONU Mulheres/Fahad Kaizer

“Soluções concretas, arrojadas e implementáveis” são necessárias para virar a maré dos muitos desafios que o mundo enfrenta, incluindo a pandemia de COVID-19, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na terça-feira (14), durante fórum das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável.

Reconhecendo que o planeta já não estava no caminho certo no ano passado para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, ele disse no início do segmento ministerial do Fórum Político de Alto Nível que hoje “nosso mundo está em turbulência”.

Além de níveis inaceitavelmente altos de pobreza, uma emergência climática que piora rapidamente, desigualdades persistentes de gênero e enormes lacunas de financiamento, o chefe da ONU chamou a COVID-19 de “outro grande desafio global”.

Apontando para mais de 12 milhões de infecções, 550 mil mortes, centenas de milhões de empregos perdidos e o maior declínio na renda per capita desde 1870, o principal funcionário da ONU lamentou que “cerca de 265 milhões de pessoas estejam sob risco de insegurança alimentar aguda até o final do ano – o dobro do número anterior à crise”.

“Todos devem entender a gravidade desta crise”, disse ele, “e os impactos dessa pandemia estão recaindo desproporcionalmente sobre os mais vulneráveis”.

“Enquanto precisamos desesperadamente avançar, a COVID-19 está nos afastando dos ODS”, disse o chefe da ONU.

Mudança de rumo

O secretário-geral da ONU citou as desigualdades dentro e entre países; a falta de investimentos em resiliência e a desconsideração sobre a importância do meio ambiente natural como algumas das razões que provocaram os “impactos devastadores” da crise de COVID-19.

Segundo ele, precisamos levar os ODS a sério, e ainda dá tempo de uma mudança de rumo.

“Com a Agenda 2030 [para o Desenvolvimento Sustentável] e os ODS, temos uma visão duradoura e unificadora; uma estrutura para guiar nossas decisões quando procuramos responder e nos recuperar melhor”, afirmou o chefe da ONU.

O mundo não pode voltar ao “normal anterior”, reconheceu Guterres, enfatizando a necessidade de soluções inspiradas nos ODS.

“Precisamos nos levantar para aproveitar o momento”, disse ele, exortando o fórum a “compartilhar experiências, entender o que funciona e replicar” e renovar a determinação de respostas multilaterais para ajudar a virar a maré globalmente.

O fórum tem como objetivo traçar um caminho mais claro para os países se recuperarem melhor, compartilharem experiências e afastarem desafios na prossecução dos Objetivos Globais, ao mesmo tempo em que compartilham estratégias para enfrentar a pandemia e ajudar os países a cumprir seus compromissos até 2030.

Desafios multidimensionais

Segundo Mona Juul, presidente do Conselho Econômico e Social (ECOSOC), a pandemia não é “apenas uma ameaça à nossa saúde, mas uma crise humana de múltiplas dimensões”.

Após uma semana de discussões de especialistas, ela observou os contratempos causados ​​pela COVID-19 e incentivou uma resposta em alinhamento com a Agenda 2030 “se esperamos acelerar e manter o progresso social e econômico”.

O presidente da Assembleia Geral, Tijjani Muhammad-Bande, pediu “esforços coletivos para acelerar a ação e abrir caminhos transformadores para garantir que não deixemos ninguém para trás”.

“A humanidade não pode sobreviver a essas múltiplas crises paralelas se não trabalharmos juntos com total respeito por todos os povos e por toda a vida neste planeta”, enfatizou.

O presidente da Assembleia lembrou a necessidade de fornecer proteção social, proteger os direitos humanos, promover a saúde e investir em infraestrutura, priorizando a educação, a água potável e o saneamento.