Violência recente na República Centro-Africana já levou à fuga de 160 mil refugiados para a RD Congo

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A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) alertou neste mês que ondas recentes de violência têm levado milhares de pessoas a fugir da República Centro-Africana e buscar segurança na vizinha República Democrática do Congo. No início de julho, a organização Médicos Sem Fronteiras relatou às Nações Unidas que um bebê foi morto a tiros por militantes em um hospital na cidade centro-africana de Zemio. Posto de atendimento abrigava mais de 7 mil deslocados internos.

Onda de violência na República Centro-Africana leva a deslocamento de milhares para a vizinha República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/Simon Lubuku

Onda de violência na República Centro-Africana leva a deslocamento de milhares para a vizinha República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/Simon Lubuku

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) alertou neste mês que recentes ondas de violência têm levado milhares de pessoas a fugir da República Centro-Africana e buscar segurança na vizinha República Democrática do Congo. No início de julho, a organização Médicos Sem Fronteiras relatou às Nações Unidas que um bebê foi morto a tiros por militantes em um hospital na cidade centro-africana de Zemio. Posto de atendimento abrigava mais de 7 mil deslocados internos.

No final de junho, 108.802 refugiados da República Centro-Africana foram registrados na República Democrática do Congo. Desde maio, outras 60 mil chegadas foram verificadas pelas autoridades do país de acolhimento às regiões de Ubangui e Bas-Uélé. Dos 53 milhões de dólares solicitados pela ONU para levar assistência às vítimas da crise, apenas 2,8 milhões haviam sido recebidos pelas agências até o dia 18 de julho.

Desde o assassinato do bebê em Zemio, a Médico Sem Fronteiras se retirou da cidade devido ao recrudescimento da violência. Hostilidades também provocaram o fechamento temporário do escritório do ACNUR no local. As principais áreas das quais as pessoas têm fugido são as cidades de Bamgassou, Bema e Mobaye – todas localizadas a centenas de quilômetros de Bangui, capital centro-africana.

Uma das regiões congolesas que têm recebido parte do fluxo de refugiados é Ndu, no interior da província de Bas-Uélé. Segundo oficiais do ACNUR que estiveram no local, a situação está caótica.

Os refugiados estão se instalando em qualquer lugar que seja possível – igrejas, em prédios usados como escolas, no único centro de saúde da região — ou dormindo ao relento. Moradores e deslocados também vivem com o temor de que bandidos armados estejam circulando pelas proximidades. Bas-Uélé acolheu cerca de 37 mil centro-africanos, segundo dados coletados até 30 de junho.

A província de Ubangui Norte também está sendo afetada pela crise. Mais de 23 mil pessoas chegaram ao departamento até o final do mês passado.

O ACNUR está organizando a entrega de assistência para 20 mil pessoas nas duas províncias. Entretanto, o organismo da ONU afirmou ter enfrentado dificuldades, pois as estradas são cheias de atoleiros e muitos lugares são intransponíveis por veículos normais — o que torna necessário o uso de tratores e carros especiais.


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