Violência no Sudão do Sul deixa 13 mil pessoas deslocadas, diz ACNUR

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) alerta que muitos deslocados estão traumatizados por terem testemunhado episódios como assassinatos, estupros e saques de vilarejos. Cerca de 5 mil fugiram para a vizinha República Democrática do Congo em busca de segurança.

Profissionais humanitários explicam para sul-sudaneses deslocados pela violência por que é importante fazer um registro junto às agências de ajuda emergencial. Imagem de 2013. Foto: OIM

Profissionais humanitários explicam para sul-sudaneses deslocados pela violência por que é importante fazer um registro junto às agências de ajuda emergencial. Imagem de 2013. Foto: OIM

Ao longo dos últimos dias, cerca de 5 mil civis fugiram de uma nova onda de violência no Sudão do Sul, buscando segurança na República Democrática do Congo, afirmou na terça-feira (12) a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Organismo ressaltou que muitos deslocados estão traumatizados por terem testemunhado episódios como assassinatos, estupros e saques de vilarejos.

“A maioria é formada por mulheres, crianças e idosos”, explicou o porta-voz do ACNUR, Babar Baloch, sobre o fluxo de refugiados que chegou ao território congolês.

Segundo o representante da agência, as pessoas estão chegando a pé “exaustas, famintas e com sede”. “Entre elas, há pessoas sofrendo de malária e outras doenças”, acrescentou Baloch.

Os sul-sudaneses deixaram o estado de Equatoria, em seu país de origem, e se assentaram em diversos vilarejos ao longo da fronteira, perto da província de Ituri, no nordeste da RD Congo.

De acordo com relatos, a violência deixou outras 8 mil pessoas deslocadas dentro do Sudão do Sul, nas proximidades da cidade de Yei.

Segundo o ACNUR, os confrontos no país começaram em 19 de janeiro, entre o Exército e um grupo rebelde conhecido como Frente Nacional de Salvação. O conflito bloqueou o acesso humanitário às áreas afetadas.

Desde 2013, a crise no Sudão do Sul já levou mais de 2,2 milhões de indivíduos a deixar o país e, assim, tornarem-se refugiados.

UNICEF: mais de 19 mil crianças vivem com grupos armados

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirmou que um grupo armado no Sudão do Sul libertou 119 crianças na terça-feira na cidade de Yambio. Os jovens estavam tinham sido recrutadas e capturadas pelo grupo conhecido como Movimento de Libertação Nacional do Sudão do Sul, que assinou um acordo de paz com o governo em 2016.

Das crianças recém-libertadas, 48 eram meninas e a mais nova tinha dez anos de idade. Mais de 3,1 mil crianças recrutadas por grupos armados já foram soltas no país.

“Cada criança que não está mais com um grupo armado representa uma infância restaurada e um futuro retomado”, disse a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore.

Durante o processo de libertação, cada criança foi registrada e recebeu um certificado afirmando que não está mais afiliada a um grupo. Os meninos e meninas receberam auxílio de assistentes sociais, agentes de saúde e especialistas em educação para que suas necessidades imediatas pudessem ser avaliadas.

“Mais e mais crianças estão sendo libertadas de grupos armados e forças armadas no Sudão do Sul e, embora seja um desenvolvimento encorajador, há um longo caminho a ser percorrido até que todas as mais de 19 mil crianças ainda recrutadas retornem para suas famílias”, avaliou a chefe do UNICEF.

Em 2019, comemoram-se os 30 anos da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança. O documento exige que governos cumpram as necessidades básicas de crianças e as ajudem a alcançar o seu potencial pleno.

“Cinco meses após a assinatura de um acordo de paz, o UNICEF pede para todas as partes do conflito do Sudão do Sul se comprometerem novamente a manter estes direitos e garantir que as crianças nunca sejam soldados”, concluiu Henrietta.


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