Violência no nordeste da Nigéria deslocou mais de 80 mil pessoas desde novembro, diz ONU

Contingente se soma aos outros 2 milhões de nigerianos já deslocados pelos conflitos armados na região, afirmou na terça-feira (22) o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Os números incluem quem permaneceu dentro do país e quem teve de cruzar fronteiras para outras nações em busca de segurança.

Nigerianos recém-chegados da cidade de Baga, no estado de Borno, instalam-se no campo de Gubio, em Maiduguri, capital da província. Como o acampamento não tem abrigos suficientes, parte da população deslocada pela violência dorme debaixo das árvores. Foto: OCHA/Leni Kinzli

Nigerianos recém-chegados da cidade de Baga, no estado de Borno, instalam-se no campo de Gubio, em Maiduguri, capital da província. Como o acampamento não tem abrigos suficientes, parte da população deslocada pela violência dorme debaixo das árvores. Foto: OCHA/Leni Kinzli

Desde novembro, mais de 80 mil nigerianos foram forçados a abandonar suas casas e comunidades devido à contínua violência no nordeste da Nigéria, afirmou na terça-feira (22) o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). O contingente se soma aos outros 2 milhões de indivíduos já deslocados pelos conflitos armados na região.

Os números incluem quem permaneceu dentro do país e quem teve de cruzar fronteiras para outras nações em busca de segurança.

Em 2018, organizações humanitárias estimavam que 7,7 milhões precisavam de assistência urgente no nordeste nigeriano, mas uma escalada recente de confrontos entre os militares do país e grupos armados não estatais está levando agências da ONU e seus parceiros a reavaliar a situação. Um plano de 90 dias está sendo implementado — principalmente no estado de Borno, o mais afetado pela crise — para atender às necessidades imediatas de 312 mil homens, mulheres e crianças.

A ONU e outras instituições humanitária parceiras também expressaram preocupação com as potenciais implicações da violência e da falta de segurança para as eleições presidenciais, previstas para 16 de fevereiro. Incidentes poderiam levar a novos deslocamentos e impedir operações de assistência em algumas localidades.

Desde 2009, o nordeste do país está sob um conflito civil desencadeado por grupos armados de oposição. Os confrontos atravessaram fronteiras e chegaram a toda a região do Lago Chade, provocando migrações generalizadas e violações do direito interacional humanitário e de direitos humanos, além de gerar riscos de proteção para um número crescente de civis, em meio a uma das piores crises do mundo.

Dentro da Nigéria, 1,8 milhão de pessoas estão em situação de deslocamento por causa da violência. Mas muitas famílias fugiram também para países vizinhos, como Chade, Camarões e Níger. Até o momento, cerca de 200 mil nigerianos são considerados refugiados ou solicitantes de refúgio nesses países.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) alertou também na terça-feira para a chegada recente de novos nigerianos ao Chade. Desde 26 de novembro, quando a cidade de Baga, no estado de Borno, foi atacada por um grupo armado não estatal, em torno de 6 mil pessoas foram forçadas a deixar tudo para trás. O município fica no lado nigeriano do Lago Chade, que se transformou em rota de fuga para a população. Muitos deslocados remaram por três horas para chegar à cidade de Ngouboua, em território chadiano, a 20 quilômetros da fronteira com a Nigéria.

O organismo internacional e as autoridades do país de acolhimento estão fazendo o registro e a triagem dos refugiados e solicitantes de refúgio, a fim de avaliar as suas necessidades. A maioria desses nigerianos deslocados são mulheres e crianças — em torno de 55% são menores de idade, segundo as primeiras informações sobre o grupo.

O ONU pede com urgência que todas as partes do conflito no nordeste da Nigéria protejam civis, bem como suas construções e infraestrutura. A Organização solicita ainda que os grupos em confronto garantam o direito internacional humanitário e de direitos humanos.


Comente

comentários