Violência na República Centro-Africana desloca 825 mil pessoas, metade só na capital

Conflito na RCA se torna mais sectário e aumenta violência entre comunidades muçulmanas e cristãs. Agência da ONU diz que mais de 6 mil crianças-soldado podem estar envolvidas no conflito.

Pessoas deslocadas no aeroporto de Bangui, na República Centro-Africana (RCA). Foto: OCHA/R.Gitau

Pessoas deslocadas no aeroporto de Bangui, na República Centro-Africana (RCA). Foto: OCHA/R.Gitau

A menos que a situação de segurança na República Centro-Africana (RCA) melhore, agências humanitárias não terão o acesso necessário às pessoas nas províncias fora da capital Bangui, alertou o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) nesta quinta-feira (30), informando que cerca de 825 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas.

Os ataques direcionados contra civis, os saques e a presença de pessoas armadas em alguns locais de deslocamento têm limitado muito o acesso de agências humanitárias para prestar assistência urgente.

Um porta-voz da ONU informou que “a situação de segurança continua tensa, especialmente na capital”, onde mais de 400 mil pessoas estão deslocadas.

A ONU e seus parceiros pediram 152 milhões de dólares para financiar um plano de intervenção de emergência, que tem como objetivo prestar socorro e proteção vital para 1,2 milhão de pessoas em todo o país ao longo dos próximos três meses.

Organizações parceiras das Nações Unidas também estão trabalhando para evitar a separação de famílias e para reunir as que já foram obrigadas a se separar. O OCHA afirmou que “um sistema abrangente em Bangui e em outros locais é uma prioridade para identificar, documentar, traçar e reunificar crianças desacompanhadas e separadas”.

Estima-se que milhares de pessoas foram mortas durante a crise na RCA que começou quando os rebeldes do movimento Séléka, majoritariamente muçulmano, lançaram ataques há um ano. Recentemente o conflito tomou uma conotação mais sectária, quando milícias conhecidas como anti-Balaka (anti-facão), que são principalmente cristãs, se armaram.

Por causa da escalada de violência entre comunidades, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) disse que mais de 6 mil crianças-soldado agora podem estar envolvidas no conflito.

O UNICEF disse nesta quinta-feira (30) que seu trabalho de identificação e verificação de meninos e meninas associados a grupos armados levaram à libertação de 23 crianças esta semana. A agência da ONU também informou que desde maio do ano passado, um total de 229 crianças foram libertadas.