Violência na República Centro-Africana atinge mais de 220 mil pessoas, alerta ONU

Missão da Agência para Refugiados recebe relatos de prisões arbitrárias, detenções ilegais, tortura, extorsão, estupros, sequestros, restrição de movimentos, saques e ataques direcionados a civis. Aldeias e casas foram queimadas por grupos armados.

Crianças deslocadas por causa da violência na República Centro-Africana frequentam aula em campo. Foto: ACNUR/D. Mbaiorem

Crianças deslocadas por causa da violência na República Centro-Africana frequentam aula em campo. Foto: ACNUR/D. Mbaiorem

A agência das Nações Unidas para refugiados afirmou nesta sexta-feira (5) que está extremamente preocupada com os mais de 200 mil deslocados e 20 mil refugiados afetados recentemente pela insegurança na República Centro-Africana (RCA).

Ao longo do mês de junho, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) e seus parceiros visitaram partes da capital, Bangui, bem como de outras áreas para avaliar a situação das pessoas afetadas pela insegurança no país, onde o governo foi deposto em março.

Os funcionários que participaram da missão receberam relatos de prisões arbitrárias e detenções ilegais, tortura, extorsão, assalto à mão armada, violência física – incluindo sexual, estupro e tentativa de estupro, sequestro, restrição de movimentos, saques e ataques direcionados a civis. Aldeias e casas foram queimadas em algumas áreas por grupos armados.

O acesso aos serviços básicos de saúde é muito limitado. Mães com bebês recém-nascidos não têm acesso a cuidados médicos em muitas áreas e novos nascimentos não são registrados.

O ACNUR, o Programa Mundia de Alimentos (PMA) e o Corpo Médico Internacional conseguiram distribuir alimentos para cerca de 11 mil refugiados.

O número de refugiados da RCA na República Democrática do Congo ultrapassa os 40 mil e o ACNUR trabalha com as autoridades nacionais para realocar os refugiados das áreas de fronteira em locais mais seguros.

Aproximadamente 60 mil pessoas fugiram da RCA desde dezembro de 2012. As pessoas continuam se deslocando e o número total de refugiados da RCA na região já chega a 220 mil.