Violência leva mais de cinco mil marfinenses para refúgio em Gana

O aumento da violência na Costa do Marfim está forçando mais pessoas na região leste do país a se refugiarem em Gana, afirmou nesta sexta-feira o Alto Comissário da ONU para Refugiados.

GENEBRA, 01 de abril de 2011 (ACNUR) – O aumento da violência na Costa do Marfim está forçando mais pessoas na região leste do país a se refugiarem em Gana, afirmou nesta sexta-feira o Alto Comissário da ONU para Refugiados. Mais de 1,3 mil marfinenses entraram em Gana nesta semana, após escaparem dos novos enfrentamentos no oeste (Duékoué),centro (Daloa) e nordeste (Bondoukou) da Costa do Marfim. Outras 250 chegaram de Abidjan, onde as condições de segurança são precárias. Com estas novas chegadas estima-se que mais de cinco mil refugiados marfinenses já estejam em Gana.

Mais de cinco mil refugiados marfinenses já se encontram em Gana. Mas o país da região mais afetado pela violência na Costa do Marfim é a Libéria, onde já foram registrados 123 mil refugiados. Neste país, o número de refugiados marfinenses continua subindo rapidamente na Libéria, particularmente no município de Grand Gedeh, no sudeste do
país, onde mais de 30 mil pessoas já foram registradas.

“Até o momento, os refugiados marfinenses estiveram fugindo majoritariamente de Abidjan e entrando no sudoeste de Gana através do ponto de entrada de Elubo. Mas com os enfrentamentos desta semana, vendo mais pessoas atravessando as fronteiras mais ao norte, em Sampa e Atuna, na região de Brong Ahafo”, afirmou hoje Andrej Mahecic, porta voz do ACNUR em Genebra.

De acordo com Mahecic, embora o ACNUR não esteja presente nesta região, a agência já enviou uma equipe para verificar as necessidades dos refugiados e, desta forma, prover assistência adequada. A maioria é composta por mulheres e crianças que chegam a Gana em ônibus, com poucos pertences. Alguns viajaram oito horas até a fronteira sudoeste em Elubo, enquanto outros levaram até quatro dias para chegar a Sampa, um ponto de
entrada central na fronteira entre Gana e Costa do Marfim.

Várias das famílias refugiadas disseram ao ACNUR que fugiram devido ao medo da violência enquanto outros testemunharam ou vivenciaram agressões em suas comunidades. Uma garota de 11 anos, que se encontrou com a equipe do ACNUR em Elubo, relatou ter sido seqüestrada e estuprada. Sua mãe a encontrou inconsciente à beira da estrada nos subúrbios de Abidjan. O ACNUR a está ajudando com assistência médica e suporte
psicológico.

Grande parte dos refugiados atualmente em Gana foi acolhida pelas comunidades de abrigo. Aproximadamente 1,7 mil está em um novo campo de refugiados instalado pelo ACNUR e pelas autoridades ganenses em Amapin, a 55 quilômetros do ponto de entrada de Elubo. Prevendo novas chegadas a Gana, o governo demonstrou rapidez ao reservar algumas localidades na região costeira e centro-oeste para a construção de outros campos.

De acordo com o ACNUR, a maioria dos refugiados em Grand Gedeh precisa urgentemente de comida, abrigo e vestimentas. Uma família afirmou que o pai morreu de fome no caminho para a Libéria. Em algumas localidades, refugiados sobreviveram trabalhando como diaristas para a população local, ganhando aproximadamente US$1,50 ao dia limpando fazendas ou cortando lenha.

Mais informações

Em Monrovia: Sulaiman Momodu +231 649 38 62
Em Accra: Ewurabena Hutchful +233 244 33 19 25
Em Genebra: Fatoumata Lejeune-Kaba +41 79 249 3483

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