Violência leva mais de 9 mil congoleses a buscar refúgio em Angola, diz ACNUR

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Apenas em abril, mais de 9 mil congoleses deixaram a província de Kasai, na República Democrática do Congo, para buscar segurança em Angola. Desde meados de 2016, quando conflitos eclodiram na região antes pacífica, mais de 1 milhão de pessoas abandonaram a área e cruzaram fronteiras nacionais, tornando-se refugiadas.

Refugiados congoleses no campo de Mussunge, em Angola. Foto: ACNUR

Refugiados congoleses no campo de Mussunge, em Angola. Foto: ACNUR

A violência na província de Kasai, na República Democrática do Congo, já levou 11 mil pessoas a fugirem da região e buscarem refúgio em Angola, alertou na semana passada (21) a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Segundo o organismo internacional, apenas em abril, mais de 9 mil congoleses deixaram a área. Vítimas de deslocamento forçado afirmam ter sofrido violência de milícias e chegam a acampamentos passando fome e sede.

De acordo com relatos recebidos pelo organismo das Nações Unidas, congoleses testemunharam ataques de grupos armados a oficiais da polícia militar e também a civis que eram considerados suspeitos de apoiar ou representar o governo. Ao fugir dos conflitos entre rebeldes e governo, muitos contam ter passado dias na floresta, antes de conseguir ir para Angola.

Segundo o ACNUR, as condições de chegada dos congoleses ao país vizinho são “desesperadoras”. A situação entre crianças é ainda mais grave, pois muitas estão desnutridas e sofrem de diarreias, febre e malária. De acordo com relatos, dois jovens já morreram por má nutrição.

A agência da ONU expressou preocupação com o futuro desses refugiados que enfrentam quadros severos de insegurança alimentar e problemas de saúde. Os fluxos de deslocamento forçado registrados em abril tiveram como destino a cidade de Dundo, localizada ao norte de Luanda. De acordo com o ACNUR, recém-chegados não têm planos de regressar à República Democrática do Congo no curto prazo.

Alguns pais relataram ao ACNUR ter mandado seus filhos para Angola por temer que eles fossem obrigados a atuar como soldados junto às milícias armadas. O organismo das Nações Unidas elogiou o posicionamento do governo angolano, que está mantendo as fronteiras do território abertas aos refugiados. O ACNUR também ressalta a importância da não devolução de congoleses que precisam de proteção internacional.

Atualmente, a agência coordena esforços com as autoridades de Angola e de Dundo, parceiros humanitários e profissionais de campo para atender as necessidades dos que fugiram de Kasai. O ACNUR enviou uma equipe adicional de emergência para a cidade, a fim de apoiar ações de assistência, além de viabilizar a entrega de tendas, utensílios de cozinha, cobertores, telas contra mosquitos, colchões e itens essenciais. Outras iniciativas incluem o mapeamento de novos locais de acolhimento, pois os atuais centros de recepção nas fronteiras estão lotados.

Desde meados de 2016, quando conflitos eclodiram em Kasai, região antes pacífica, mais de 1 milhão de pessoas abandonaram a área e cruzaram fronteiras nacionais, tornando-se refugiadas.


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