Violência étnica já deslocou 150 mil pessoas desde abril na RD Congo

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No nordeste da República Democrática do Congo, a região de Tchomia transformou-se no palco de mais uma crise de deslocamento forçado, provocada pela violência étnica. O local fica na rota para Uganda e, por isso, virou caminho para os congoleses que precisaram fugir para o país vizinho. Mas ao decidir voltar para seu território de origem, esses refugiados descobriram que os confrontos continuavam. O relato é Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

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No nordeste da República Democrática do Congo, a região de Tchomia transformou-se no palco de mais uma crise de deslocamento forçado, provocada pela violência étnica. O local fica na rota para Uganda e, por isso, virou caminho para os congoleses que precisaram fugir para o país vizinho. Mas ao decidir voltar para seu território de origem, esses refugiados descobriram que os confrontos continuavam.

Desde abril, cerca de 150 mil congoleses voltaram a Tchomia, na província de Ituri. A jovem Esta, de 18 anos, teve fugir de Nizi, sua aldeia natal. Com o marido e os dois filhos pequenos, passou por Tchomia a caminho de Kondo, em Uganda. Eles retornaram a terras congolesas, mas não puderam regressar para a cidade de Esta.

“Gostaríamos de voltar a Nizi, mas apenas quando a paz for totalmente restaurada”, afirma a ex-refugiada. “Não temos uma casa para onde voltar e também não há como alugar.”

Desde dezembro do ano passado, 350 mil pessoas tiveram de deixar seus lares e comunidades na República Democrática do Congo. “Eu costumava coletar madeira e transformar em carvão para a venda”, conta Pascaline, de 59 anos, que deixou o vilarejo de Dese com seus quatro netos em fevereiro.

“Mas eu não teria coragem de trabalhar no campo agora. As pessoas estão sendo esquartejadas em pedaços.”

Pascaline agora vive num campo de deslocados internos em Bunia, a capital de Ituri. “A vida é difícil aqui em Bunia. Às vezes recebemos apenas metade das porções de alimentos. Eu fico muito doente e as crianças também.”

Pela primeira vez em meses, funcionários da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) puderam visitar algumas das áreas por onde as pessoas estão retornando.

“Nossa equipe ouviu numerosos e angustiantes relatos de violência truculenta, incluindo grupos armados atacando civis com armas, flechas e facões, aldeias inteiras dizimadas, fazendas e lojas sendo saqueadas e permanentemente destruídas”, disse na semana passada (13) o porta-voz do organismo internacional, Charlie Yaxley.

Os profissionais do ACNUR relataram que os desafios humanitários eram enormes. Hospitais, escolas e outras infraestruturas tinham sido destruídas. Outra preocupação é o número de crianças que sofrem de desnutrição aguda grave e que necessitam de cuidados médicos urgentes.

Betso, de 70 anos, também vive num dos abrigados improvisados ​​de Bunia com sua esposa e sete filhos. “Há oito de nós espremidos nesta pequena tenda”, conta.

“Estamos dormindo no chão porque não temos colchões. Fica tão frio à noite. Nós não sabemos onde colocar nossos filhos, eles só podem dormir em um pedaço de tecido na tenda. Eu gostaria de voltar, mas onde iríamos morar? Nós literalmente não teríamos teto sobre nossas cabeças. E comer o quê? Não temos mais acesso aos campos. Eu costumava vender óleo no mercado, mas minha loja foi saqueada.”

O ACNUR está fornecendo abrigos de emergência para substituir casas que foram danificadas ou destruídas, mas a falta de fundos dificulta o fornecimento de assistência. A operação da agência recebeu apenas 17% dos 201 milhões de dólares solicitados à comunidade internacional para ajudar a República Democrática do Congo.

“Estou apenas esperando um sinal positivo para retornar”, completa Pascaline. “Eles estão registrando as famílias interessadas em retornar e pode ser que recebamos assistência.”


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