‘Violência entre palestinos e israelenses não pode ser a nova normalidade’, afirma ONU

No último mês, ao menos sete israelenses e 34 palestinos morreram por conta da violência entre os dois povos. Representante da ONU pediu a Israel que declarações mostrando compromisso com o estabelecimento de dois Estados sejam seguidas de ações.

Palestinos após a demolição de suas casas por Israel. Foto: OCHA

Palestinos após a demolição de suas casas por Israel. Foto: OCHA

O secretário-geral assistente das Nações Unidas para Assuntos Políticos, Miroslav Jenča, afirmou nesta quarta-feira (16) que os ataques de palestinos contra israelenses, a percepção de impunidade em casos de violência de colonos e a impressão de uma eterna ocupação não devem ser encaradas como “a nova normalidade” entre israelenses e palestinos.

Em uma sessão informativa no Conselho de Segurança, o representante pediu a ambas as partes para adotarem uma “visão sem precedentes” que estabeleça a paz na região.

“As atuais circunstâncias não deveriam ser aceitas como a ‘nova normalidade’. Israelenses e palestinos não deveriam ser resignados a viver com a ameaça de violência. No entanto, uma estratégia compreensiva para limitar essa ameaça não pode se basear unicamente em medidas de segurança aprimoradas. É preciso se dirigir também aos elementos primários que motivaram a raiva palestina”, afirmou Jenča.

O representante da ONU observou que as declarações de Israel se comprometendo com uma solução de dois Estados precisam ser seguidas por ações, e não com o estabelecimento de mais assentamentos na Cisjordânia.

Apesar de declínio do último mês, esfaqueamentos, atropelamentos propositais e tiros de palestinos contra israelenses continuam gerando vítimas quase diariamente. Em contrapartida, suspeitos dessas agressões são mortos imediatamente, sem julgamento. Até o momento, esses confrontos já provocaram a morte de sete israelenses e de 34 palestinos, segundo Jenca.

Ele destacou que existe uma perceptível impunidade diante da violência de colonos contra palestinos. “Autoridades israelenses também têm efetuado duas demolições punitivas contra família dos acusados ou condenados por ataques”, lembrou, dizendo que atos como esses são violações da lei internacional e são contraprodutivos.