Violência e destruição continuam provocando sofrimento entre sírios, diz Angelina Jolie

A Enviada Especial do ACNUR, Angelina Jolie (à direita) conversa com refugiados sírios na fronteira da Jordânia em 18 de junho de 2013. Foto: ACNUR/O. Laban-Mattei

A violência e a destruição na Síria continuam a infligir sofrimento a milhões de pessoas, alertou nesta sexta-feira (15) a enviada especial da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a atriz norte-americana Angelina Jolie, no aniversário de oito anos do conflito.

Desde o início da crise, em março de 2011, metade da população da Síria foi deslocada à força. Mais de 5,6 milhões de sírios vivem como refugiados em toda a região e milhões estão deslocados internamente.

“Ao chegarmos a mais um ano desse conflito devastador, meus pensamentos estão com o povo sírio. Penso, especialmente, nos milhões de sírios que sofrem com a condição de refugiado na região, nas famílias deslocadas no interior do país e em todos que sofrem com ferimentos, traumas, fome e a perda de familiares”, disse a enviada especial do ACNUR em comunicado.

Jolie lembrou que milhões de sírios não participaram da guerra, mas vivem suas consequências. “É impossível descrever a resiliência e a dignidade das famílias sírias que conheci. Todos os refugiados sírios com quem passei tempo nos últimos oito anos, jovens e idosos, falaram ansiar pela paz na Síria, para que possam voltar em segurança para casa”.

“Famílias deslocadas internamente e refugiados, em menor escala, já começaram a retornar ao país. É fundamental que os retornos sejam de iniciativa própria dos refugiados, baseada em suas decisões e não em pressões políticas. Ouvir os refugiados e suas perspectivas e preocupações é vital para o planejamento dos seus futuros retornos – é uma questão de direitos.”

Nos últimos anos, a lacuna entre o que os refugiados sírios e os deslocados internos precisam para sobreviver, e a assistência humanitária disponível para eles, cresce a cada dia, disse Jolie. Segundo ela, há sírios dentro do país que estão tentando reconstruir suas vidas rodeados por escombros, sem o apoio necessário.

“Milhões de famílias refugiadas estão vivendo abaixo da linha da pobreza, e acordam todos os dias sem saber se vão encontrar comida ou remédios para seus filhos. Elas também lutam diariamente com o acúmulo de dívidas contraídas durante os oitos anos de exílio.”

Jolie salientou que mulheres e meninas enfrentam desafios adicionais, incluindo as limitadas oportunidades de trabalho, e a violência sexual e de gênero, como o casamento forçado e prematuro, os abusos, a exploração sexual e a violência doméstica. “Os países vizinhos – Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito – têm feito muito para ajudar os refugiados, mas seus recursos são limitados e precisam de financiamento para continuar a apoiar milhões de refugiados e ajudar suas populações locais a lidar com as pressões econômicas e sociais”.

“Enquanto o conflito continua e até que os sírios sejam capazes de retornar às suas casas, o mínimo que podemos fazer é tentar atender as mais urgentes necessidades humanitárias: minimizar o máximo possível o sofrimento humano e tentar mitigar alguns dos danos causados por esses oito anos perdidos neste conflito sem sentido”.

“Esse é o mínimo que podemos fazer para um povo que merece muito mais: o direito de viver em paz, com segurança e dignidade em seu país”, concluiu Jolie.