Violência dificulta luta contra a cólera no Haiti

Nações Unidas e parceiros humanitários no Haiti estão pedindo um fim às manifestações violentas em Cap Haitien, que estão prejudicando seriamente os esforços para responder ao surto de cólera que se alastra rapidamente. O apelo foi feito nesta terça-feira (16/11) pelo Coordenador Humanitário da ONU no país, Nigel Fisher.

Mãe deitada ao lado do filho, que está recebendo tratamento contra a coléra no Haiti.As Nações Unidas e seus parceiros humanitários no Haiti estão pedindo um fim às manifestações violentas em Cap Haitien, que estão prejudicando seriamente os esforços para responder ao surto de cólera que se alastra rapidamente. “Pedimos a todos os envolvidos nestas claramente orquestradas manifestações para parar imediatamente, de modo que os parceiros nacionais e internacionais possam continuar a salvar vidas com a nossa resposta à cólera”, disse ontem (16/11) o Coordenador Humanitário da ONU no Haiti, Nigel Fisher.

“Cada dia que perdemos, hospitais ficam sem abastecimento, os pacientes continuam sem tratamento e as pessoas continuam ignorantes do perigo que enfrentam. É vital que tudo seja feito para conter este surto em Cap Haitien, enquanto ainda podemos. Mas isso é muito difícil no atual ambiente”.

Falando em nome da comunidade humanitária no país, Fisher advertiu que a situação de segurança na cidade está impedindo que suprimentos vitais cheguem à área, onde equipes médicas estão sobrecarregadas e mortes por cólera estão aumentando. Já o Escritório da ONU para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) disse que a ONU foi forçada a cancelar voos transportando sabão, suprimentos médicos e pessoal para Cap Haitien e Port de Paix. Cap Haitien fica no Departamento ou região administrativa do Norte, que atualmente tem a maior taxa de letalidade da cólera no país (7,5%).

Diversos projetos tiveram que ser suspensos, inclusive a cloração de água para 300 mil pessoas em áreas de favelas e o treinamento de pessoal médico, em resposta ao cólera. Bloqueios de estradas criados pelos manifestantes estão impedindo as pessoas de chegar aos hospitais. Além disso, um armazém utilizado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) foi saqueado e queimado. 500 toneladas de alimentos foram roubadas.

A epidemia de cólera, que foi confirmada no mês passado, já infectou mais de 12 mil haitianos e tirou a vida de cerca de 900 pessoas. A ONU está coordenando um apelo internacional emergencial por 164 milhões de dólares para o fundo de resposta ao cólera no Haiti, que está lidando com as consequências do terremoto devastador de janeiro e de um furacão recente.