Violência contra a mulher custa US$ 1,5 trilhão ao mundo, alerta ONU no Dia Laranja

Neste 25 de maio, Dia Laranja pelo Fim da Violência contra as Mulheres, as Nações Unidas reforçam seu apelo para que Estados-membros combatam violações dos direitos humanos de meninas e mulheres. Violência tem custo alto para países desenvolvimentos e em desenvolvimento. A ONU Mulheres ressalta que investimentos em prevenção — como conscientização sobre desigualdade de gênero nas escolas — são menos custosos que as políticas atualmente necessárias para lidar com as consequências dos abusos.

Marcha das Mulheres em Nova York, em janeiro de 2017. Foto: Flickr (CC)/Karla Ann Cote

Marcha das Mulheres em Nova York, em janeiro de 2017. Foto: Flickr (CC)/Karla Ann Cote

Neste 25 de maio, Dia Laranja pelo Fim da Violência contra as Mulheres, as Nações Unidas reforçam seu apelo para que Estados-membros combatam violações dos direitos humanos de meninas e mulheres. A ONU lembra que a violência contra o público feminino custe aos países cerca de 1,5 trilhão de dólares — 2% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

O montante diz respeito em parte às despesas com o atendimento às vítimas, com a aplicação das leis e com as consequências das agressões na vida de trabalhadoras. Em Uganda, gastos anuais com funcionários que cuidam de mulheres vítimas de violência doméstica chegam a 1,2 milhão de dólares. Já no Marrocos, crimes contra as mulheres, por motivação de gênero, custam à Justiça 6,7 milhões de dólares anualmente.

Na Nova Guiné, em média, empregadas do setor privado deixam de ir trabalhar 11 dias ao ano por conta da violência de gênero. O Peru perde mais de 70 milhões de dias trabalhados devido à violência doméstica e familiar. No Camboja, 20% das mulheres vítimas de violência doméstica relatam ter se ausentado do trabalho e afirmam também que seus filhos faltaram à escola devido a episódios de agressão.

No Vietnã, o custo direto da violência doméstica representa 21% das despesas mensais das mulheres, e vítimas da violência doméstica ganham 35% menos do que mulheres que não sofreram esse tipo de agressão.

Os problemas não são uma exclusividade dos países em desenvolvimento. O custo anual da violência cometida por parceiros íntimos das mulheres chega a 5,8 bilhões de dólares para os Estados Unidos e a 1,6 bilhão de dólares para o Canadá. Na Inglaterra e no País de Gales, o custo da violência doméstica soma 32,9 bilhões de dólares.

Todo dia 25 do mês é um Dia Laranja pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A data conclamada é pelas Nações Unidas no marco da Campanha UNA-SE. Atividades têm por objetivo ampliar o calendário celebrado no dia 25 de novembro – Dia Internacional pelo Fim da Violência contra as Mulheres. No Dia Laranja, a ONU convida a sociedade civil, os governos e outros parceiros a se mobilizarem em apoio à causa.

Em 2017, o Dia Laranja adota o lema “Não deixe ninguém para trás: acabe com a violência contra as mulheres e as meninas”, uma adaptação do tema dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Desafios do Brasil

No Brasil, 40% das mulheres já sofreram violência doméstica em algum momento de sua vida. Pesquisadas coletadas pela ONU Mulheres indicam que 66% dos brasileiros presenciaram uma mulher sendo agredida física ou verbalmente em 2016. Em 2014, foram mais de 45 mil estupros cometidos no país.

A cada duas horas, uma mulher é assassinada no país, a maioria por homens com os quais têm relações afetivas — o que coloca o Brasil na 5º posição em um ranking de feminicídio que avaliou a incidência do crime em 83 países.

“A violência contra as mulheres é uma manifestação perversa, fruto da discriminação e da desigualdade de gênero. Para além das consequências humanas imensuráveis que ela traz, tal violência impacta em elevados custos para os serviços de atendimento — incluindo a saúde, a segurança e a justiça. Investir na prevenção e na erradicação da violência contra as mulheres e meninas é muito menos custoso do que tem nos custado a falta de ação”, aponta a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman.

Prevenção no Espírito Santo

O governo do Espírito Santo tem olhado para a prevenção como uma das principais formas de enfrentar as violências estruturais. O estado ocupa o 2º lugar em assassinato de mulheres no país.

Em 2016, a Secretaria estadual de Políticas para as Mulheres iniciou em conjunto com a ONU Mulheres a capacitação de 43 professores e gestores da rede pública de ensino para a implementação do currículo O Valente não é Violento nas escolas. A parceria visa avançar na prevenção da violência contra mulheres e meninas por meio da educação formal sobre igualdade de gênero.

Uma segunda etapa do projeto inclui a realização de uma iniciativa-piloto com 50 escolas da rede pública. O objetivo é reduzir os índices de violência sexual e abuso entre meninas, casos de gravidez na adolescência e o casamento infantil.

O currículo O Valente não é Violento foi elaborado com o intuito de desafiar estereótipos de gênero que levam à violência. A proposta é refletir sobre as associações problemáticas entre, por exemplo, masculinidade e violência, bem como sobre diferenciação entre meninas e meninos no aprendizado das Ciências Exatas e das práticas esportivas. Outros temas incluem a divisão desigual das tarefas domésticas e das posições de poder.

“Entendo que a educação é a porta de entrada para o diálogo com os jovens e adolescentes por estar ligada diretamente à reprodução de ideais e valores. É de suma importância que a educação esteja atenta aos processos sociais, culturais e políticos da sociedade, e que se discuta essas mudanças e transformações na escola, pois é a partir da escola que podemos difundir ideias e valores para o fim da cultura machista, sexista, misógina e, assim, combater a violência contra as mulheres”, diz a subsecretária de políticas para as mulheres do Espírito Santo, Helena Soares Pacheco.

A parceria com a ONU Mulheres faz parte do Programa de Enfrentamento à Violência contra as mulheres no Espírito Santo – Brasil, cuja meta é diminuir o número de homicídios no estado.