Violência agrava situação no Iêmen, em meio à falta de financiamento humanitário

A situação no Iêmen é “muito delicada” disse a principal oficial humanitária da ONU no país. Nos últimos três dias, ao menos 13 pessoas foram mortas e pelo menos 70 ficaram feridas durante confrontos nas províncias de Áden e Abyan.

“Famílias estão encurraladas em suas casas por causa do conflito e não conseguem obter alimentos e atendimento médico”, disse Lise Grande, coordenadora humanitária do Iêmen, na quinta-feira (22).

“Já fomos forçados a encerrar programas de vacinação e atendimento médico, além de reduzir serviços de proteção para vítimas de violência sexual e de gênero”, disse. “Se os doadores não honrarem suas promessas, 22 programas vitais vão ser encerrados nas próximas semanas.”

Bairro de Cratar em Áden, no Iêmen (18 de novembro de 2018). Foto: OCHA/Giles Clark

Bairro de Cratar em Áden, no Iêmen (18 de novembro de 2018). Foto: OCHA/Giles Clark

A situação no Iêmen é “muito delicada” disse a principal oficial humanitária da ONU no país. Nos últimos três dias, ao menos 13 pessoas foram mortas e pelo menos 70 ficaram feridas durante confrontos nas províncias de Áden e Abyan.

“Famílias estão encurraladas em suas casas por causa do conflito e não conseguem obter alimentos e atendimento médico”, disse Lise Grande, coordenadora humanitária do Iêmen, na quinta-feira (22).

Devido ao conflito, algumas ruas de Áden estão vazias e o aeroporto internacional da cidade teve seus vôos temporariamente suspensos.

“Lamentamos os mortos e feridos, e pedimos que as partes em conflito respeitem suas obrigações sob a lei humanitária internacional”, disse ela.

A coordenadora citou a situação da operação humanitária do país, que “está em apuros” devido à falta de pagamento das promessas de recursos feitas em fevereiro.

“Já fomos forçados a encerrar programas de vacinação e atendimento médico, além de reduzir serviços de proteção para vítimas de violência sexual e de gênero”, disse. “Se os doadores não honrarem suas promessas, 22 programas vitais vão ser encerrados nas próximas semanas.”

A situação do Iêmen é considerada a pior crise humanitária do mundo.

Cerca de 80% dos 24,1 milhões de iemenitas necessitam de alguma forma de ajuda e proteção humanitária. De acordo com o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 10 milhões de pessoas estão próximas da fome e sete milhões estão desnutridas.

O Plano de Resposta Humanitária 2019 para o Iêmen requer 4,2 bilhões de dólares para ajudar mais de 20 milhões de iemenitas, entre eles, 10 milhões de pessoas que dependem inteiramente da ajuda humanitária para atender suas necessidades básicas.

Em fevereiro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou um evento para angariar recursos para o país. A crise humanitária no Iêmen recebeu a promessa de 2,6 bilhões de dólares que seriam destinados a atender as necessidades urgentes da população do país. Até o momento, menos de metade do valor foi recebido.