Venezuelanos recebem doações do ACNUR para recomeçar a vida em outras partes do país

Usando máscaras, mantendo distanciamento físico e malas nas mãos, 27 venezuelanos abrigados em Boa Vista (RR) foram para o aeroporto da cidade na última quinta-feira (16) para embarcarem, junto com suas famílias e sonhos, rumo a Juiz de Fora (MG).

Os participantes dessa rodada do programa de interiorização – um dos pilares da resposta governamental ao fluxo de venezuelanos que chega ao país desde 2016 – receberam apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) para terem proteção social e apoio financeiro e material para este novo recomeço em plena pandemia no país, com um dos maiores índices de infectados e mortos no mundo.

ACNUR acompanha refugiados e migrantes antes de embarcar no voo de interiorização das Forças Aéreas Brasileiras. Foto: Allana Ferreira/ACNUR

De máscaras no rosto, mantendo distanciamento físico e malas nas mãos, 27 venezuelanos abrigados em Boa Vista foram para o aeroporto da cidade na última quinta-feira (16) para embarcarem, junto com suas famílias e sonhos, rumo a Juiz de Fora (MG).

Os participantes dessa rodada do programa de interiorização – um dos pilares da resposta governamental ao fluxo de venezuelanos que chega ao país desde 2016 – receberam apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) para terem proteção social e apoio financeiro e material para este novo recomeço em plena pandemia de coronavírus no país, com um dos maiores índices de infectados e mortos no mundo.

Para cada uma das famílias, que foram recebidos pela ONG Aldeias Infantis SOS, parceira do ACNUR no Brasil, foram distribuídos kits de cozinha – equipados com panelas, talheres e vasilhas – e auxílio financeiro emergencial por meio de um cartão pré-pago que, por três meses, irá apoiar essas pessoas até que possam encontrar trabalho e uma moradia própria.

O kit de cozinha foi particularmente especial para a Margarita Chalón Lisboa, venezuelana de 51 anos que chegou sozinha ao país. “Eu gosto muito de cozinhar e esse kit foi um presente para mim, porque espero conseguir realizar meu sonho de começar meu próprio negócio”, contou emocionada olhando com um sorriso para a caixa.

Mãe de sete filhos, atravessou sozinha pelos momentos mais difíceis de sua vida ao chegar no Brasil. Viveu nas ruas de Pacaraima e Boa Vista, até que foi abrigada pelo ACNUR e parceiros no abrigo Rondon 2, em Boa Vista, onde esperava por essa chance de recomeçar em outra parte do país.

“Eu já passei por vários abandonos durante a minha vida, mas nunca achei que teria que abandonar o meu próprio país para conseguir sobreviver. Mas eu estou muito agradecida ao povo brasileiro que vem me ajudando desde quando cheguei aqui, além de todos da equipe do abrigo, da ONU, da Operação Acolhida. Tudo isso me emociona muito”, disse dona Margarita.

Um dos objetivos do programa de interiorização voluntária é aliviar a grande concentração de refugiados e migrantes venezuelanos no estado de Roraima, permitindo que essas pessoas possam se integrar em outros estados brasileiros, colaborando assim com a economia e no desenvolvimento da sociedade local.

“O ACNUR procura acolher as pessoas com um perfil de maior vulnerabilidade dando o apoio necessário para se reestabelecerem em um novo local. Mulheres e mães sozinhas, pessoas idosas, com algum tipo de limitação física ou famílias com muitos membros ou crianças são alguns dos perfis que o ACNUR procura atender nesta modalidade”, explicou a supervisora da unidade de interiorização do escritório do ACNUR em Roraima, Maria Carolina Indjaian.

Todos os itens doados pelo ACNUR contaram com o apoio de parceiros e doadores. Por exemplo, as máscaras entregues aos venezuelanos foram produzidas por outros refugiados que fazem parte do Projeto Prevenção sem Fronteiras, parceria entre ACNUR, Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social de Roraima (SETRABES) e Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiado (SJMR).

A estratégia de auxílio financeiro (CBI, na sigla em inglês) e a manutenção dos abrigos da Operação Acolhida geridos pelo ACNUR, por meio de parcerias com as organizações Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI) e Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI), recebem o apoio financeiro da União Europeia por seu instrumento ECHO (Ajuda Humanitária e Proteção Civil), que, junto as contribuições de outros países, permite à operação do ACNUR no Brasil prover assistência a milhares de venezuelanos e venezuelanas.

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O ACNUR atua desde o começo do programa de interiorização que faz parte da Operação Acolhida e conta com o apoio de outras agências da ONU e organizações da sociedade civil. Além de colaborar na identificação dos perfis solicitados para cada modalidade de interiorização que são: reunificação familiar, reunificação social, vaga de emprego sinalizada, o ACNUR lidera a modalidade abrigo/abrigo, onde seleciona família ou indivíduos para serem transferidos de Roraima para um abrigo público ou de organizações parceiras do ACNUR em outros estados do país.