Venezuelanos morando nas ruas encontram segurança em novo centro de recepção na Colômbia

A venezuelana requerente de refúgio Darlys e seus filhos chegam ao novo centro de recepção em Maicao, na Colômbia. Foto: ACNUR/Jorge Daniel Berdugo Siosi

Quando Darlys (*) deixou a Venezuela com seus dois filhos em busca de segurança, nunca imaginou que acabaria dormindo nas ruas de Maicao, uma cidade colombiana perto da fronteira ao norte do país.

Darlys não tinha outra opção além de sair da Venezuela. A vida de seu filho de sete anos, Luis, estava em risco: sua doença de rins atingira um ponto crítico e não havia tratamento disponível no país.

Como Darlys, milhares de famílias da Venezuela que chegam a Maicao o fazem com poucos meios para sobreviver, se é que têm meios. Muitos deles vivem nas ruas há meses – em estacionamentos, sob pontes das cidades ou em estruturas improvisadas – porque a capacidade dos abrigos da cidade é muito limitada.

Com uma população de aproximadamente 100 mil pessoas, Maicao atualmente abriga 30 mil refugiados e migrantes. Um levantamento conduzido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em fevereiro revelou que metade dos 3,5 mil venezuelanos entrevistados estavam vivendo nas ruas ou em assentamentos informais ao redor da cidade.

Darlys tentou alugar um pequeno apartamento no início, mas seu dinheiro acabou em poucas semanas. “Tive que escolher entre pagar o aluguel ou alimentar meus filhos”, diz ela. Eles voltaram para as ruas.

Toda noite, Darlys tinha medo de dormir. Ela queria ficar acordada para proteger seus filhos, com medo de que alguém pudesse levá-los dela ou machucá-los. “Eu tinha uma faca, e em algumas noites a segurava enquanto dormia para que eu pudesse proteger meus filhos e nossos pertences”, diz ela. “Muitas pessoas estavam sendo roubadas durante a noite.”

Refugiados e migrantes vivendo nas ruas de Maicao tem pouco acesso a água potável, banheiro, abrigos e outras necessidades básicas. Eles também ficam expostos a sérios riscos, como tráfico humano, violência sexual ou baseada em gênero (SGBV), exploração laboral e exploração sexual.

No fim de 2018, as autoridades locais de Maicao e o governo colombiano pediram suporte do ACNUR para organizar um centro temporário de recepção a fim de ajudar com a falta de acomodações para tantas pessoas que precisam de suporte.

Crianças venezuelanas chegam para a hora do almoço no novo centro de recepção em Maicao, na Colômbia. Foto: ACNUR/Jorge Daniel Berdugo Siosi

O Centro de Assistência Integrada, que abriu suas portas no início de março, tem uma capacidade inicial de 350 pessoas. Mulheres, crianças, idosos e outras pessoas vulneráveis agora têm acesso temporário a abrigo, comida, água, atendimento médico básico e outros serviços, como orientação legal e apoio psicossocial e infantil.

Devido a suas vulnerabilidades, a família de Darlys estava entre os selecionados para serem abrigados em uma das 62 tendas agora disponíveis no centro, três quilômetros de Maicao. Na sala de jantar, a família fez uma pausa do sol pesado e desfrutou de um prato de ensopado de carne e arroz.

Dentro da tenda, os filhos de Darly não acreditaram quando viram um colchão adequando com travesseiros. “Eles estão tão relaxados agora, e eu também”, disse ela.

Agências governamentais, organizações não governamentais nacionais e internacionais, assim como outras agências da ONU – o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) –, estão envolvidos nas operações do centro.

“O centro foi aberto diante da situação crítica em Maicao, especialmente em relação ao alto número de pessoas vivendo nas ruas”, diz Federico Sersale, diretor do escritório do ACNUR no departamento de La Guajira.

“O objetivo é abordar as condições extremamente vulneráveis dos venezuelanos por um período de tempo limitado, ajudando-os a dar o primeiro passo em direção a uma vida mais independente e à futura integração da comunidade.”

Leia mais sobre o centro e outras histórias clicando aqui.

(*) Nomes foram alterados por motivos de segurança.