Venezuelanos LGBTI montam grupo de arte em abrigo da Operação Acolhida em Roraima

Jovens venezuelanos LGBTI que cantam, dançam, interpretam e desenham encontraram, dentro de um abrigo da Operação Acolhida em Roraima, uma forma de se unirem durante o difícil processo de deslocamento ao Brasil, seja como migrante ou como refugiado.

Com ajuda do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), eles batizaram o coletivo de “DiverTsarte”. “É um grupo, mas somos família, união e estabilidade. Essa sigla significa diversidade, diversão e arte”, justifica o representante, Jesus Daniel Villaroel, de 26 anos.

Jesus Villarroel e Ricardo Alfonzo Roca, fundadores do grupo. Foto: UNFPA/Débora Rodrigues

Jesus Villarroel e Ricardo Alfonzo Roca, fundadores do grupo. Foto: UNFPA/Débora Rodrigues

Jovens venezuelanos LGBTI que cantam, dançam, interpretam e desenham encontraram, dentro de um abrigo da Operação Acolhida em Roraima, uma forma de se unirem durante o difícil processo de deslocamento ao Brasil, seja como migrante ou como refugiado.

Com ajuda do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), eles batizaram o coletivo de “DiverTsarte”. “É um grupo, mas somos família, união e estabilidade. Essa sigla significa diversidade, diversão e arte”, justifica o representante, Jesus Daniel Villaroel, de 26 anos.

O DiverTsarte nasceu após um casal que estava no mesmo abrigo começar a fazer esquetes de humor, ao estilo stand up comedy, o que atraiu as atenções de outros artistas. Desde então, eles fazem apresentações periódicas, instrumentos utilizados para driblar a discriminação.

“Estamos tratando de mudar o pensamento das pessoas por meio de nossa arte. Estamos conscientizando as pessoas sobre a comunidade LGBTI, sobre a necessidade de não ter preconceito e homofobia. Os venezuelanos nos falam palavras pejorativas. Tentamos mudar e fazê-los perceber que somos todos iguais”, explica.

Segundo a especialista em direitos humanos do UNFPA em Roraima, Nathalia Campos, as pessoas que fazem parte do grupo foram atendidas pelo Fundo em várias ocasiões, seja nos postos de triagem ou nos próprios abrigos.

Após ser convidado a assistir aos shows, o UNFPA decidiu apoiar a iniciativa por meio de seminários, conversas e ajudando a encontrar um local adequado para os ensaios. O apoio é estratégico, de forma a promover a resiliência comunitária e criar uma rede de proteção.

Na quinta-feira (4), o grupo fará uma apresentação especial no seminário “Orgulho de ser LGBTI: Identidade e Representatividade”, que está sendo organizado pelo UNFPA, em parceria com o Conselho Estadual LGBTI e a Universidade Federal de Roraima, das 14h às 19h30. Na ocasião, será exibido o documentário “A Revolta de Stonewall”, que relembra o levante da comunidade LGBTI, em 1969, contra a opressão policial em Nova Iorque.

“Nós fazemos vários encontros com eles para falar sobre violência e saúde sexual e reprodutiva, para que sejam multiplicadores dentro dos abrigos, entendendo que a arte e a cultura vão promover a resiliência comunitária e, por meio disso, os direitos humanos, de uma maneira lúdica e divertida”, explica Nathalia.

“A população LGBTI é uma população que costuma sofrer muito. Eles estão conseguindo identificar casos de proteção e ampliando a atenção do UNFPA dentro desses espaços em que fazem parte”, completa.

“É duro sair de seu país de origem e encontrar pessoas que você não conhece, não sabe como vão te tratar. A arte é como um refúgio de nossa dor, de nossos pensamentos”, acrescenta Jesus, antes de entoar uma bonita canção em espanhol.

Atenção à comunidade LGBTI

Em contextos de emergências humanitárias, o Fundo de População é a agência do Sistema ONU responsável por promover o acesso à saúde sexual e reprodutiva e por oferecer respostas para a violência baseada em gênero.

Em cenários como esses, mulheres, mulheres grávidas, pessoas com deficiência, idosas e LGBTI, entre outras, são especialmente vulneráveis. De acordo com o último Relatório Sobre a Situação da População Mundial, por exemplo, cerca de 500 mulheres e meninas em países sob situação de emergência morrem durante a gravidez ou ao dar à luz, pela ausência de serviços obstétricos adequados.

Em Roraima, o público LGBTI é chave para o trabalho do UNFPA. A atuação se dá também no fornecimento de informações, particularmente no que se refere ao empoderamento e o conhecimento de seus direitos, como o da não discriminação.

Também ocorrem ações de prevenção e alerta sobre a violência urbana e suas consequências, além de conversas sobre saúde sexual. Até mesmo as salas de acolhimento e atendimento do UNFPA nos Postos de Triagem são desenhadas para que as pessoas LGBTI as reconheça como locais onde podem ir e encontrar apoio.

“O Fundo de População tem o cuidado de deixar elementos para que a comunidade LGBTI se sinta à vontade e reconheça a sala como um espaço seguro”, explica a especialista Nathalia Campos.