Venezuelana warao conta que veio para o Brasil salvar a vida da filha

Ogrismar Del Valle, de 19 anos, viu a comunidade indígena em que vivia desde que nasceu, na Venezuela, esvaziar. Viu amigos, familiares, colegas, todos seguirem pelo curso do rio Delta Amacuro, fugindo da fome e das necessidades que se instalaram no local que abrigava parte da população warao de seu país de origem.

No fim de setembro, ela chegou ao Brasil com a filha de dois anos e o companheiro. Encontraram refúgio na ocupação Ka’ubanoko (que significa “meu lar” na língua Warao), localizada em Boa Vista, Roraima.

Lá, Ogrismar participou de evento realizado pela organização Médicos Sem Fronteiras com apoio da equipe técnica de Saúde & Nutrição do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Roraima. Ela recebeu materiais de higiene, comida e roupas, e sua filha, Glorismar Del Valle, passou por uma avaliação nutricional, recebeu remédio antiparasitário e atualizou a carteira de vacinação.

Ogrismar Del Valle (19) chegou ao Brasil em 24 de setembro, acompanhada da filha Glorismar (2) e de seu companheiro. Foto: UNICEF | Inaê Brandão.

Ogrismar Del Valle (19) chegou ao Brasil em 24 de setembro, acompanhada da filha Glorismar (2) e de seu companheiro. Foto: UNICEF | Inaê Brandão.

Ogrismar Del Valle, de 19 anos, viu a comunidade indígena em que vivia desde que nasceu, na Venezuela, esvaziar. Viu amigos, familiares, colegas, todos seguirem pelo curso do rio Delta Amacuro, fugindo da fome e das necessidades que se instalaram no local que abrigava parte da população warao de seu país de origem.

No fim de setembro, ela chegou ao Brasil com a filha de dois anos e o companheiro. Encontraram refúgio na ocupação Ka’ubanoko (que significa “meu lar” na língua Warao), uma habitação espontânea de venezuelanos que abriga famílias indígenas e não indígenas localizada em Boa Vista, Roraima.

Lá, Ogrismar recebeu materiais de higiene, comida e roupas. A filha dela, Glorismar Del Valle, passou por uma avaliação nutricional, recebeu remédio antiparasitário e atualizou a carteira de vacinação em um evento realizado pela organização Médicos Sem Fronteiras e apoiado pela equipe técnica de Saúde & Nutrição do UNICEF atuando em Roraima.

A vida na Venezuela

A jovem vivia na comunidade de Araguabisi e trabalhava como artesã. Seis meses após o nascimento de Glorismar, sua única filha, o primeiro marido morreu e a jovem ficou sem apoio.

Ogrismar viu a comunidade em que morava perder, aos poucos, a vida. Permaneceu na vila, localizada a um dia de barco de Tucupita, principal cidade venezuelana da região, pois não tinha dinheiro para sair. Ogrismar conta que tinha medo de acabar sozinha na comunidade.

Com um novo companheiro, pegou a filha nos braços e tomou coragem para seguir viagem. “A vida era difícil porque não havia quem me ajudasse. Vim para o Brasil pela minha filha. Já não tínhamos o que comer, remédio, ela não tinha roupa para vestir, não tinha fralda”, contou a jovem.

“A menina chorava de fome. Chegamos ao Brasil com dinheiro emprestado por uma vizinha e um cacique nos recebeu neste local. Recebemos comida e itens de uso pessoal. Me disseram para vir para o Brasil porque aqui atendem bem os waraos”, acrescentou Ogrismar.

Reconstruindo a vida com a comunidade warao no Brasil

Na ocupação, Ogrismar recebeu materiais de higiene, comida e roupas. A filha dela passou por uma avaliação nutricional e recebeu medicação em evento apoiado pelo UNICEF. Foto: UNICEF | Inaê Brandão.

Na ocupação, Ogrismar recebeu materiais de higiene, comida e roupas. A filha dela passou por uma avaliação nutricional e recebeu medicação em evento apoiado pelo UNICEF. Foto: UNICEF | Inaê Brandão.

A família foi acolhida na ocupação batizada de Ka’Ubanoko (que significa “meu lar” na língua Warao). Lá, 664 pessoas, sendo 279 crianças e adolescentes, vivem de forma improvisada em barracas e redes.

“Eu estou feliz de estar aqui porque aqui estão cuidando da gente. Eu vim só com a roupa do corpo, a criança também”, relatou.

A venezuelana exprimiu felicidade por ter acesso a produtos de higiene e poder lavar os cabelos de novo. “Ganhamos sandálias, coisas de higiene pessoal. Há muito tempo que eu não tinha xampu e sabão. Me senti bem de novo e disse para o meu companheiro ‘ainda bem que viemos para cá’.” E conclui: “Aqui no Brasil queremos trabalhar, queremos uma casa”.

Sobre a atuação do UNICEF na ocupação Ka’Ubanoko

Ogrismar e sua família reconstroem suas vidas em comunidade warao em Boa Vista. Foto: UNICEF | Inaê Brandão.

Ogrismar e sua família reconstroem suas vidas em comunidade warao em Boa Vista. Foto: UNICEF | Inaê Brandão.

Em parceria com a ONG Visão Mundial, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Roraima presta apoio ao local realizando atividades esportivas, de recreação, leitura, desenho e escrita.

As equipes de Proteção da Criança e Educação também são capacitadas para identificar possíveis casos de violência cometidos contra meninas e meninos.

O programa Saúde & Nutrição, do UNICEF, também está ativo na resposta humanitária em Roraima. Ele só é possível graças ao trabalho de seus parceiros e ao financiamento do Escritório de População, Refugiados e Migração do governo dos Estados Unidos (BPRM/USA); do Fundo Central de Resposta a Emergência das Nações Unidas (Cerf); da Johnson & Johnson; e do Governo da Nova Zelândia.