Variedade nas exportações e custos elevados são barreiras para comércio entre América Latina e Leste Asiático

Brasil segue como maior exportador latino-americano para o leste da Ásia, registrando 43% das operações.

Foto: Minplanpac/Creative Commons

Foto: Minplanpac/Creative Commons

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) divulgou na última sexta-feira (14) o relatório, “Fortalecimento da cooperação bi-regional entre América Latina e Ásia-Pacífico: o papel do Fórum de Cooperação América Latina – Ásia do Leste (FOCALAL)”, com recomendações para fortalecer a cooperação entre América do Sul e Leste Asiático.

De acordo com a agência, a Ásia irá representar quase 60% do crescimento econômico mundial entre 2012 e 2022. A contribuição da América Latina, embora muito menor, deverá ultrapassar os da África, Europa Ocidental, Europa Oriental e Oriente Médio.

Segundo o documento, a limitação na quantidade e tipo de produtos exportados da América Latina para o Leste Asiático, as altas tarifas impostas por ambas as regiões e os elevados custos para o transporte são barreiras para o comércio entre os dois locais.

De acordo com a CEPAL, dentre os países para quem a América Latina mais exporta, a China está entre os que menos recebem os produtos, seguida igualmente por outros países do Leste Asiático. Os países latino-americanos e do Caribe exportam para sua própria região e para os Estados Unidos o dobro do mesmo número relativo à China e 50% mais do que para outros mercados asiáticos.

Segundo a CEPAL, esses dados refletem a elevada concentração de exportações da região para a Ásia em um pequeno número de produtos primários. De acordo com a agência, o aumento tanto do número quanto da sofisticação dos produtos exportados para a Ásia continua a ser necessário para desenvolver relações bi-regionais mais fortes.

Atualmente, a Ásia é um mercado inexplorado para muitos dos países da América Latina, com exceções. Chile e Peru têm acordos de livre comércio com a China, o Japão e a Coreia do Sul, enquanto o México mantém um acordo apenas com o Japão. O Mercado Comum do Sul (Mercosul) conta, na Ásia, com um potencial acordo com a Índia, e não participa em qualquer negociação com nenhum outro parceiro desse continente.

O Brasil é de longe o maior exportador para os países asiáticos pertencentes ao FOCALAL, registrando 43% das exportações latino-americanas entre 2009 e 2011. Argentina, Chile, México, Peru e Brasil respondem por 94% do total dessas exportações.

As exportações da Ásia para a América Latina também são concentradas em relação à origem, com a China representando metade dessas operações. Em relação às mesmas exportações, 84% vieram da China, Japão e Coreia do Sul, enquanto Cingapura, Filipinas, Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã registraram 14% no mesmo período.

Simultaneamente, Brasil e México foram os principais destinos das exportações da parte asiática do FOCALAL para seus parceiros latino-americanos, cada um sendo responsável por quase um quarto do total. Apesar de ser uma economia muito menor, o Panamá registrou apenas uma parcela ligeiramente menor do que o Brasil e o México, devido à importância do Canal do Panamá em sua região.

O relatório também observou que muitas economias da Ásia mantêm altas tarifas na agricultura, um setor de grande interesse para muitos países latino-americanos. Por outro lado, as economias asiáticas enfrentam altas tarifas para suas manufaturas na América Latina.

O estudo ressaltou que as altas tarifas de transporte são uma outra barreira.

A CEPAL afirma que a implementação de reformas de facilitação do comércio em cada região e entre os dois é urgente. Os altos custos, em parte devido à falta de interconexões no meio marítimo, surgiram como uma grande barreira comercial restringindo o crescimento das exportações latino-americanas para a região da Ásia-Pacífico, na qual os países têm uma qualificação muito melhor no quesito transporte.

As ligações marítimas entre as duas regiões ainda não se desenvolveram adequadamente, diz o relatório. Na medida em que as rotas Norte-Norte e Sul-Norte são mais completas e bem desenvolvidas em gerais, o transporte Sul-Sul tem poucas conexões e as linhas diretas entre os portos da América Latina e da Ásia-Pacífico são raras.

Mesmo com os desafios, a Ásia-Pacífico continua a crescer como um parceiro comercial para a América Latina e Caribe. O comércio total de mercadorias entre as duas regiões atingiu um recorde de 482 bilhões de dólares em 2012, 2,5 vezes o seu valor em 2006. No entanto, o comércio entre latino-americanos e caribenhos com os asiáticos consistentemente registra um déficit, média nos últimos três anos de 83 bilhões de dólares.

A agência observou que a inovação e a competitividade só podem ser alcançadas por meio da formação dos recursos humanos, e por isso é necessário reforçar os laços entre os sistemas educativo e produtivo. Neste campo, a América Latina tem muito o que aprender com o Leste Asiático em relação às novas tecnologias e educação a distância, entre outros.

Outra das limitações da economia latino-americana é a sua infraestrutura, que tem sérias deficiências em termos de qualidade e quantidade. De acordo com um estudo recente da CEPAL, a região teria que investir cerca de 5,2% do seu PIB anual apenas para atender aos níveis esperados de demanda por infraestrutura econômica, durante o período 2006-2020.

Se o objetivo fosse alcançar o estoque per capita das economias do Leste Asiático, o aumento deveria ser de 7,9% do PIB no mesmo período.

Como uma possível solução, a CEPAL propôs a criação de grupos de trabalho bi-regionais para analisar as experiências de parcerias público-privadas para projetos de infraestrutura, que permitam aprender lições e introduzir novas iniciativas.