Vacinação contra ebola é aprovada na RD Congo; voluntários do UNICEF conscientizarão comunidades locais

Para conter o mais recente surto do vírus ebola na República Democrática do Congo (RDC), o UNICEF está capacitando 145 voluntários para conscientizar as populações locais em áreas remotas. Organização Mundial da Saúde apoia coordenação do governo federal para conter o vírus.

Representantes do Ministério da Saúde da República Democrática do Congo, da OMS e do UNICEF chegam a Likati, epicentro do surto de ebola. Foto: OMS

Representantes do Ministério da Saúde da República Democrática do Congo, da OMS e do UNICEF chegam a Likati, epicentro do surto de ebola. Foto: OMS

Para conter o mais recente surto do vírus ebola na República Democrática do Congo (RDC), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) forneceu suporte técnico a 145 voluntários da Cruz Vermelha congolesa e agentes comunitários de saúde para fornecer informações de conscientização para as populações locais em áreas remotas ao longo da fronteira com a República Centro-Africana.

“Trabalhar em estreita colaboração com profissionais de saúde e as comunidades foi a melhor maneira de informar rapidamente o público sobre medidas de proteção contra o ebola, bem como prevenir a propagação da doença”, disse Christophe Boulierac, porta-voz do UNICEF, durante um informe para a imprensa em Genebra.

Sob a coordenação das autoridades nacionais de saúde e em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o UNICEF treinou os voluntários sobre como clorar água e desinfetar casas para evitar a propagação da doença, bem como sobre a importância da lavagem das mãos e formas de adaptar as práticas locais em velórios para reduzir os riscos de contaminação nos enterros.

Incentivando as pessoas a visitar centros locais de saúde em caso de doenças durante a epidemia, o governo da RDC decidiu disponibilizar gratuitamente os serviços de saúde na zona de Likati, afetada pelo ebola.

Além disso, um voo financiado pela União Europeia ajudou o UNICEF a enviar suprimentos e medicamentos para instalações de saúde na área de Likati.

“Era uma área muito difícil de alcançar e os times só podiam acessá-la por moto e a pé. Isso limitou a propagação da doença, mas também apresentou um desafio adicional de trazer suprimentos médicos”, explicou Boulierac.

“Até segunda [29], havia 19 casos de ebola, dos quais dois foram confirmados em laboratório, quatro eram prováveis e 13 suspeitos”, disse Christian Lindmeier, porta-voz da OMS. “Fora desses 19 casos, houve quatro mortes, das quais apenas uma foi confirmada em laboratório e uma provável.”

Ele também afirmou que ainda havia 294 pessoas sendo acompanhadas, e como muitos casos já haviam sido descartados, era importante examinar várias outras opções.

“Uma série de doenças podem ser responsáveis, como hepatite B, hepatite C, hepatite E, febre amarela, shigella, febre tifoide, dengue e salmonela. Casos individuais nas diferentes aldeias poderiam ter patógenos diferentes”, explicou.

Perguntado sobre a vacinação, Lindmeier disse que o protocolo para a ‘vacinação em anel’ – estratégia para identificar e tratar as pessoas que tiveram contato com uma pessoa infectada – foi formalmente aprovada pelas autoridades reguladoras nacionais e pelo governo da RDC com a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), juntamente com o apoio da OMS.

Ele acrescentou que outros parceiros estavam trabalhando no planejamento para o uso experimental da vacina, para implantar o mais rápido possível, se necessário.