Vacina experimental oferece alta proteção contra ebola, afirma OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta sexta-feira (23) que os testes finais da vacina experimental contra o ebola mostraram que o novo medicamento fornece “alta proteção” contra o vírus.

Segundo a OMS, a epidemia na África Ocidental entre 2013-2016, que causou a morte de mais de 11,3 mil pessoas, acabou sinalizando a necessidade de uma vacina. A Guiné, a Libéria e a Serra Leoa foram os países mais afetados durante o surto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta sexta-feira (23) que os testes finais da vacina experimental contra o ebola mostraram que o novo medicamento fornece “alta proteção” contra o vírus.

“A vacina, chamada de rVSV-ZEBOV, é a primeira a agir para evitar a infecção de um dos patógenos mais letais da atualidade. E as novas conclusões adicionaram um peso aos resultados iniciais publicados no ano passado”, disse a OMS em comunicado à imprensa.

De acordo com a agência da ONU, os testes do remédio envolveram quase 12 mil pessoas na Guiné, em 2015. Dos quase 6 mil que receberam o medicamento, nenhum caso de ebola foi registrado dez dias ou mais depois da vacinação. Em comparação, entre a outra metade que recebeu um placebo em vez do medicamento, foram registrados 23 casos da doença.

“Embora esses resultados convincentes cheguem tarde demais para aqueles que perderam a vida durante a epidemia do ebola na África Ocidental, eles mostram que quando o próximo surto do ebola ocorrer, nós não estaremos mais indefesos”, disse a diretora-geral assistente da OMS, Marie-Paule Kieny.

Para a coordenadora da resposta ao ebola e diretora da Agência Nacional de Saúde da Guiné, KeÏta Sakoba, a doença deixou um legado devastador no país. “Estamos orgulhosos por podermos contribuir com o desenvolvimento de uma vacina que impeça outras nações de passar pelo que passamos”, disse.

Segundo a OMS, a epidemia na África Ocidental entre 2013-2016, que causou a morte de mais de 11,3 mil pessoas, acabou sinalizando a necessidade de uma vacina. A Guiné, a Libéria e a Serra Leoa foram os países mais afetados durante o surto.

Os testes ocorreram na região costeira da Guiné, em Basse-Guiné, área que ainda registrava casos da doença em 2015. Os especialistas usaram uma estratégia chamada “anel de vacinação”, que foi a mesma usada pelos cientistas para erradicar a varíola.

Quando um novo caso da doença era diagnosticado, a equipe de pesquisadores identificava todas as pessoas que tiveram contato com o paciente nas últimas três semanas, tempo médio de incubação do vírus.

Além de mostrarem alta eficiência entre os vacinados, os testes também demonstraram que as pessoas não vacinadas nos anéis foram indiretamente protegidas contra o vírus através da abordagem de vacinação. No entanto, os cientistas apontaram que os testes não foram projetados para medir esse efeito, e por isso mais investigação é necessária.

“Este ensaio histórico e inovador foi possível graças a uma coordenação e colaboração internacional exemplar, com a contribuição de muitos especialistas do mundo todo e com forte envolvimento local”, disse o diretor especialista do Instituto Norueguês de Saúde Pública e presidente do grupo de direção do estudo, Dr. John-Arne Røttingen.

Em janeiro, a Aliança Gavi forneceu 5 milhões de dólares à companhia farmacêutica Merck para contratos futuros quando a vacina estiver aprovada, pré-qualificada e recomendada pela OMS.

Como parte do acordo, a Merck se comprometeu a disponibilizar 300 mil doses da vacina para uso de emergência e submeter o medicamento para licenciamento até o final de 2017.