UNODC alerta para risco da violência de gênero durante período de isolamento

Situações emergenciais como a provocada pela atual pandemia da COVID-19, em que alguns países impuseram medidas de quarentena e de distanciamento social, podem aumentar o risco de violência contra mulheres e meninas por parte do parceiro íntimo. O alerta foi feito pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Mulher em um abrigo para meninas e mulheres que sofreram violência sexual e de gênero, em Mogadíscio, capital da Somália. Foto: UNICEF / Kate Holt

Mulher em um abrigo para meninas e mulheres que sofreram violência sexual e de gênero, em Mogadíscio, capital da Somália. Foto: UNICEF/Kate Holt

A violência de gênero por parte do parceiro íntimo, em sua forma mais comum, é altamente prevalente em muitas sociedades.

Situações emergenciais como a provocada pela atual pandemia da COVID-19, em que alguns países impuseram medidas de quarentena e de distanciamento social, podem aumentar o risco de violência contra mulheres e meninas por parte do parceiro íntimo.

Nesses casos, ficar em casa não é o mais seguro, já que o lar é frequentemente onde há risco de homicídio, abuso físico, sexual, psicológico, econômico, negligência e controle coercitivo.

No contexto do desemprego e de outros impactos econômicos adversos associados à pandemia, mulheres e meninas podem estar particularmente vulneráveis a abusos econômicos e privações durante esse período de confinamento.

Pode haver riscos particulares para mulheres que não conseguem comprar produtos essenciais, como alimentos e medicamentos porque são impedidas por seus parceiros de sair de casa, temem deixar seus filhos com eles ou não conseguem dinheiro para fazer compras.

As medidas para conter a COVID-19 são adotadas de forma uniforme, mas afetam desproporcionalmente certos grupos, incluindo vítimas e sobreviventes de violência doméstica, mulheres sem-teto, mulheres mais velhas e mulheres e meninas com deficiência.

Além disso, mulheres e meninas privadas de liberdade, deslocadas, refugiadas, requerentes de asilo, migrantes e aquelas que vivem em áreas de conflito estão particularmente em risco durante a pandemia.

Evidências de campos de refugiados e zonas de assistência humanitária confirmam que onde as famílias ou indivíduos são mantidos ou alojados próximos por longos períodos, as taxas de violência de gênero contra as mulheres e meninas são elevadas.

A COVID-19, portanto, tem colocado muitos desafios a esses grupos tanto na esfera emocional quanto na econômica que precisam ser superados e a violência que está emergindo agora como uma característica sombria dessa pandemia precisa ser combatida.