Universidade pública anuncia processo seletivo para refugiados

Processo seletivo será realizado para preencher ao menos uma vaga em cada um dos 57 cursos de graduação oferecidos pela UFSCar nos seus três campi (São Carlos, Araras e Sorocaba).

Estão abertas as inscrições para refugiados e refugiadas que queiram ingressar na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), retomando ou iniciando sua formação universitária. O processo seletivo será realizado para preencher ao menos uma vaga em cada um dos 57 cursos de graduação oferecidos pela UFSCar nos seus três campi (São Carlos, Araras e Sorocaba).

Refugiados em São Paulo frequentam aula de português oferecida pelo SESC: a educação é uma ferramenta essencial de integração local no Brasil. Foto: ACNUR/ L.F.Godinho.

Refugiados em São Paulo frequentam aula de português oferecida pelo SESC: a educação é uma ferramenta essencial de integração local no Brasil. Foto: ACNUR/ L.F.Godinho.

Este processo seletivo diferenciado é uma importante iniciativa da UFSCar, um dos principais centros de ensino superior do país e integrante da Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM). Entre os cursos oferecidos estão os de Administração, Enfermagem, Medicina, Ciência da Computação, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Letras, Pedagogia e Psicologia.

Para se inscrever, os candidatos interessados terão que comprovar a condição de refugiado por meio de documentação emitida pelo Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE). Os documentos exigidos no Edital devem ser enviados à Pró-Reitoria de Graduação até o dia 17 de outubro. A lista dos candidatos com inscrições aceitas será divulgada no dia 7 novembro, com a data em que deverão comparecer à universidade para submeter-se a avaliações sobre conteúdos do ensino médio e fundamental.

A cátedra é implementada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) no Brasil e em toda a América Latina desde 2003. A cátedra é uma homenagem ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto no Iraque naquele mesmo ano e que dedicou grande parte da sua carreira profissional na ONU ao trabalho com refugiados, como funcionário do ACNUR.

A CSVM possui duas vertentes básicas: estimular a produção acadêmica sobre o direito internacional dos refugiados e oferecer serviços e apoio aos refugiados e refugiadas que vivem no Brasil – incluindo a continuidade de estudos universitários interrompidos nos seus países de origem ou o início de um curso superior.

“A educação é uma forma de garantir a integração dos refugiados que buscam reconstruir suas vidas no país”, afirma Andrés Ramirez, representante do ACNUR no Brasil. “A iniciativa da UFSCar está em linha com um dos objetivos do ACNUR, que é o de facilitar o acesso de refugiados à educação”, completa Ramirez.

No Brasil, a CSVM reúne universidades públicas e privadas, de diversas partes do país. Recentemente, em parceria com a Universidade de Vila Velha (UVV), o ACNUR realizou o II Seminário Nacional Cátedra Sérgio Vieira de Mello, buscou ampliar o envolvimento da comunidade acadêmica na causa do refúgio e deslocamentos forçados, além de incentivar a prática de ações afirmativas.

A UFSCar foi uma das instituições de ensino superior convidadas para participar dos debates. Desde 2008, a instituição reserva no mínimo 57 vagas a cada ano para ingresso de refugiados. A avaliação é feita pela coordenação de cada curso e leva em consideração a barreira linguística e a apresentação dos documentos exigidos.

Para garantir a continuidade dos estudos, a UFSCar criou a figura do tutor, que incentiva o refugiado, ajuda em eventuais problemas de integração e funciona como intermediário entre a universidade e o estudante. Em alguns casos, o aluno pode receber alimentação e moradia, além de auxílio financeiro através de atividades desenvolvidas na universidade. Com o ingresso na UFSCar, os refugiados passam a ter os mesmos direitos e deveres dos demais alunos.

Mais informações podem ser obtidas na Coordenadoria do Vestibular da UFSCar, pelo telefone (16) 3351-8152 ou pelo e-mail covest[arroba]ufscar.br

(Por Isabela Maia, de Brasília, para o ACNUR)