Universidade mineira apoia projeto da ONU para fortalecer produção de algodão em países africanos

A Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, é a mais nova parceira do projeto Além do Algodão, uma iniciativa do Centro de Excelência contra a Fome da ONU e da Agência Brasileira de Cooperação para fortalecer a cadeia do algodão e de seus subprodutos em quatro países africanos — Benim, Moçambique, Quênia e Tanzânia.

A instituição mineira vai apoiar ações de capacitação em nutrição, processamento de alimentos e aprimoramento da produção.

Produção de algodão na Tanzânia. Foto: Gatsby Charitable Foundation (CC)

Produção de algodão na Tanzânia. Foto: Gatsby Charitable Foundation (CC)

A Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, é a mais nova parceira do projeto Além do Algodão, uma iniciativa do Centro de Excelência contra a Fome da ONU e da Agência Brasileira de Cooperação para fortalecer a cadeia do algodão e de seus subprodutos em quatro países africanos — Benim, Moçambique, Quênia e Tanzânia. A instituição mineira vai apoiar ações de capacitação em nutrição, processamento de alimentos e aprimoramento da produção.

Formalizada no início deste mês (4), a cooperação entre os organismos prevê que a Universidade de Lavras atue na definição dos eixos de alimentação escolar e de segurança alimentar e nutricional do Além do Algodão.

Junto aos parceiros do projeto e aos atores de cada país participante, os técnicos da instituição vão orientar o desenvolvimento de ações para incorporar a nutrição e a segurança alimentar na cadeia de produção do algodão. Também serão implementadas medidas para integrar os agricultores ao mercado da alimentação escolar, conectando a oferta do campo às demandas dos centros de ensino que fornecem refeições para os seus alunos.

Uma segunda demanda dos países que integram o Além do Algodão é viabilizar o processamento mínimo de alimentos em pequenas agroindústrias. O Brasil tem bastante experiência com o tema, e a Universidade de Lavras vai ajudar a estruturar a cooperação com Benim, Moçambique, Quênia e Tanzânia. O objetivo é garantir que os agricultores tenham acesso a técnicas e equipamentos de processamento de alimentos. Com isso, será possível diminuir o desperdício, aumentar a durabilidade dos produtos e garantir a segurança sanitária da comida.

Os especialistas brasileiros também vão dar assistência técnica para a concepção e implementação de modelos de produção do algodão combinados ao cultivo de alimentos. Os técnicos de Lavras vão apoiar a estruturação do processamento do algodão para que, a partir das sementes, os agricultores possam produzir o óleo de algodão e a torta — um composto alimentar feito a partir das sementes e utilizado principalmente como ração animal.

Histórico

A Universidade Federal de Lavras foi fundada em 1908 como escola agrícola. Desde 1963, tornou-se uma instituição federal de ensino, pesquisa e extensão, dedicada à produção e à disseminação de conhecimento. Apesar de atuar em diversas áreas, é principalmente nas ciências agrárias que a universidade se destaca.

Atualmente, a instituição trabalha diretamente em outro projeto de cooperação técnica entre o Brasil e países africanos, conhecido como Cotton Victoria, com atuação em três nações — Tanzânia, Quênia e Burundi. O organismo mineiro também participa de atividades dos projetos Cotton4 e Shire-Zambeze.

A universidade foi responsável por diversos cursos de capacitação e de pós-graduação voltados à produção do algodão. Também conduziu testes de campo de tecnologias para agricultores familiares e de novos modelos de produção algodoeira.

O Além do algodão é uma iniciativa conjunta entre o Centro de Excelência contra a Fome, do Programa Mundial de Alimentos da ONU, a Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, e o Instituto Brasileiro do Algodão.

O projeto pretende ajudar produtores familiares de algodão e instituições públicas de países africanos a conectar os subprodutos do algodão e as culturas alimentares associadas à produção algodoeira a mercados estáveis, como os programas de alimentação escolar.