Universidade federal da Paraíba adere a movimento da ONU para igualdade entre homens e mulheres

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A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) é a mais nova instituição acadêmica do Brasil a aderir ao movimento ElesPorElas, iniciativa da ONU Mulheres para mobilizar homens e meninos pelo fim das desigualdades de gênero. Centro de ensino, pesquisa e extensão se comprometeu a realizar ações de conscientização e a apoiar o poder público em políticas sobre o tema. Engajamento da universidade foi formalizado na semana passada (29).

Mobilizações em favor dos direitos de mulheres e meninas na UFPB. Foto: UFPB

Mobilizações em favor dos direitos de mulheres e meninas na UFPB. Foto: UFPB

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) é a mais nova instituição acadêmica do Brasil a aderir ao movimento ElesPorElas, iniciativa da ONU Mulheres para mobilizar homens e meninos pelo fim das desigualdades de gênero. Centro de ensino, pesquisa e extensão se comprometeu a realizar ações de conscientização e a apoiar o poder público em políticas sobre o tema.

O engajamento da universidade foi formalizado na semana passada (29), em evento com a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, e a reitora da UFPB, Margareth Diniz. Encontro lembrou a campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que teve início em 25 de novembro e se estende até 10 de dezembro.

“A UFPB tem exercido a sua liderança por meio do envolvimento de estudantes, professoras e professores com a igualdade de gênero em coletivos e espaços para melhorar a qualidade da presença das mulheres nos campi, assim como a mobilização dos homens em favor dos direitos das mulheres”, elogiou Nadine.

A especialista lembrou os resultados da pesquisa Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Levantamento revelou que 27% de todas as mulheres nordestinas, com idades entre 15 e 49 anos, já foram vítimas de violência doméstica ao longo da vida — e 17% foram agredidas fisicamente pelo menos uma vez na vida.

Salvador, Natal e Fortaleza ostentam o título negativo de cidades mais violentas para as mulheres, em termos de violência doméstica física, com índices de 19,76%, 19,37%, e 18,97%, respectivamente.

“Para além das ações nos campi, a ONU Mulheres incentiva que a UFPB atue em diálogo com a gestão pública, colaborando na produção de conhecimento, estudos e dados sobre as realidades das mulheres. Contamos com a UFPB no apoio às cidades sustentáveis e com igualdade de gênero na Paraíba. Essa será uma colaboração importante ao projeto Cidade 50-50, da ONU Mulheres, para inclusão da igualdade de gênero como princípio das gestões municipais”, acrescentou Nadine.

Margareth explicou que a UFPB abraçou a causa “na expectativa de ver diminuir algo que consideramos intolerável, que é a violência contra a mulher na Paraíba e no Brasil”. “Dentro da perspectiva do movimento, já estamos desenvolvendo ações de mobilização e conscientização para combater a violência de gênero e promover a igualdade nas relações, dentro e fora dos muros da instituição, de modo a fortalecer o empoderamento de todas nós”, disse.

Plano de ação

A universidade propôs um programa de ações estratégicas para as áreas de gestão, pesquisa, extensão e ensino. Entre as iniciativas previstas, estão a criação de um observatório da violência contra as mulheres; a prestação de atendimento especializado; a promoção da paridade em cargos de governança e liderança; e o incentivo ao ingresso de mulheres em cursos onde elas são minoria, como carreiras de ciências e exatas.

A estratégia da UFPB também inclui a difusão de conteúdos sobre gênero no interior da comunidade acadêmica. O objetivo é promover relações não violentas entre homens e mulheres, contribuindo para a formação de cidadãos e profissionais. Outra meta da UFPB é o estímulo a pesquisas sobre questões de gênero na instituição.

Parceria com governo da Paraíba

Um dos apoiadores da adesão da UFPB ao movimento ElesPorElas, o governo paraibano participou do encontro com a ONU Mulheres e reiterou sua satisfação com a parceria já existente entre o estado e a agência das Nações Unidas.

“Estamos fortalecendo, cada vez mais, as políticas públicas de combate à violência contra a mulher. Nos últimos anos, reduzimos em 30% o número de assassinatos de mulheres e também lutamos pelo combate da violência no lar, cometida pelos próprios companheiros. Precisamos do engajamento de toda a sociedade nesta luta e estamos abertos para colaborar com ações de empoderamento feminino”, disse o governador Ricardo Coutinho.

Recentemente, o chefe do Executivo estadual ampliou os órgãos de políticas para as mulheres para 50 municípios, que atuam em rede. “É um trabalho complexo que o governo não realiza sozinho, mas em parceria com os municípios e outros poderes, além de contarmos com a colaboração da sociedade civil organizada”, explicou.

Elogiando o histórico da ONU Mulheres, a secretária da Mulher e Diversidade Humana, Gilberta Soares, acrescentou que o organismo internacional “poderá nos ajudar a implementar a lei do feminicídio na Paraíba”. Atualmente, a pasta trabalha com assistência a vítimas e ações preventivas contra a violência de gênero, desenvolvendo campanhas educativas.


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