Universidade de Brasília sedia mostra de documentários angolanos

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Entre 11 e 13 de setembro, a Universidade de Brasília recebe a mostra “O olhar de Lua Pequena”, que reúne obras cinematográficas da jornalista e documentarista angolana Marisol Kadiegi, sob a curadoria de Edileuza Souza Penha. A atividade tem o apoio institucional da ONU Mulheres, no âmbito da Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024).

Imagem: divulgação

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Entre 11 e 13 de setembro, a Universidade de Brasília recebe a mostra “O olhar de Lua Pequena”, que reúne obras cinematográficas da jornalista e documentarista angolana Marisol Kadiegi, sob a curadoria de Edileuza Souza Penha.

A atividade tem o apoio institucional da ONU Mulheres, no âmbito da Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024).

Durante os três dias de evento, serão exibidos os vídeos “Xinguilamento, a força dos ancestrais”, que relata a tradição angolana do culto aos espíritos ancestrais; “No rosto e no rasto da alma dos Khoisans”, sobre os costumes do povo nômade Khoisans; e “Valeu”, uma coprodução da documentarista com Asdrúbal Rebelo, que apresenta a trajetória das crianças-soldado para a independência de Angola.

Em seguida, especialistas discutem as obras e as semelhanças entre as culturas angolana e brasileira.

A mostra de documentários é uma parceria entre a documentarista, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab/Ceam) da UnB e o Instituto de Comunicação Comunitária Wilson Brother Miranda (INCID), com apoio do Sindicato dos Professores (SINPRO), Fundação Cultural Palmares (Ministério da Cultura), Procuradoria Especial da Mulher do Senado, Televisão Pública de Angola e Embaixada de Angola.

Marisol Kadiegi

A jornalista e documentarista Marisol Kadiegi viveu alguns dos momentos mais cruciais da história de seu país, Angola. No auge da guerra da independência, Marisol era uma pré-adolescente que conviveu com os horrores do conflito e, em meio a uma sangrenta batalha, acabou sendo separada de sua família quando sua aldeia foi invadida por uma das guerrilhas inimigas.

Levada a um campo de refugiados, acabou em Portugal e, depois, no Brasil, onde viveu até a fase adulta. De volta ao seu país, tentou reencontrar os pais – encontro foi abreviado por uma das mais terríveis heranças da guerra. As minas que pontilharam todo o país e até hoje causam mortes e mutilações levaram a mãe e o pai a caminho de encontrá-la.

Anos depois, realizadora da Televisão Pública de Angola (TPA), Marisol se debruçou em projetos para contar histórias e aspectos de seu país. Alguns desses resgastes fazem parte dessa mostra de documentários. O olhar de Marisol é poético, como seu sobrenome ancestral que significa ‘lua pequena’ ou ‘folha pequena levada pelo vento’, em quimbundo.

Suas obras são um relato nu e cru da realidade de seu país e das situações que ela testemunhou. “Não maquio nada. Tudo é a realidade”, definiu a documentarista. Confira a programação clicando aqui.


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