UNIDO e CIBiogás promovem treinamento sobre biogás com representantes do governo federal

A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) promoveram na semana passada (14 e 15), no Parque Tecnológico de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), um treinamento para o Comitê Diretor do Projeto GEF Biogás e parceiros. O objetivo foi discutir a cadeia de valor do biogás no Brasil.

O evento incluiu oficinas de capacitação para representantes de instituições e ministérios que integram o projeto, voltado ao financiamento e ao apoio técnico da produção brasileira do biogás — uma fonte renovável de energia produzida a partir da decomposição de resíduos orgânicos gerados por empreendimentos diversos, como fazendas ou restaurantes.

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A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) promoveram na semana passada (14 e 15), no Parque Tecnológico de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), um treinamento para o Comitê Diretor do Projeto GEF Biogás e parceiros. O objetivo foi discutir a cadeia de valor do biogás no Brasil.

O evento incluiu oficinas de capacitação para representantes de instituições e ministérios que integram o projeto, voltado ao financiamento e ao apoio técnico da produção brasileira do biogás — uma fonte renovável de energia produzida a partir da decomposição de resíduos orgânicos gerados por empreendimentos diversos, como fazendas ou restaurantes.

O projeto é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment Facility, em inglês), e pretende ampliar a oferta de energia renovável e fortalecer as cadeias nacionais de fornecimento de tecnologia no setor. A UNIDO é a agência implementadora do programa, que conta com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) como instituição líder no Brasil.

Bruno Neves, especialista em gestão de projetos da UNIDO e responsável pela coordenação do projeto no Sul do Brasil, enfatiza que o aproveitamento sustentável dos
resíduos orgânicos gerados pela produção agropecuária brasileira pode resultar em ganhos econômicos, sociais e ambientais.

“O potencial de uso do biogás nasce da necessidade de buscarmos a sustentabilidade no agronegócio, mas representa principalmente uma oportunidade de desenvolvimento econômico local. Os benefícios da produção de biogás podem tanto ser internalizados pelos produtores quanto ser disponibilizados para a sociedade na forma de energia térmica, combustível e energia elétrica, gerando competitividade e diversificação para o território.”

Além da UNIDO, do MCTIC, do CIBiogás e da Itaipu Binacional, participaram do treinamento o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Ministério de Minas e Energia (MME), o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MP), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a agência de cooperação alemã GIZ.

O evento de nivelamento técnico contou com visitas à hidrelétrica de Itaipu e a uma unidade de demonstração. Tecnologia, regulamentação, mercado e perspectivas de inovação no setor de biogás no Brasil foram os temais centrais do encontro.

Segundo Rodrigo Régis, diretor presidente do CIBiogás, o objetivo do treinamento foi sensibilizar ministérios e agentes institucionais importantes sobre a necessidade de se flexibilizar as regras em torno da geração da energia renovável.

“As regras e regulamentos que temos acabam gerando burocracias que impedem o desenvolvimento desse novo tipo energético”, disse. Régis afirmou acreditar que o biogás pode diversificar a oferta energética nacional.

“Hoje o Brasil tem uma dependência incrível do diesel. O Brasil importou mais de 51 bilhões de dólares em diesel nos últimos cinco anos. Temos uma demanda crescente de energia, que o biogás pode suprir em parte de forma descentralizada, e pode gerar uma nova economia no país, gerando emprego, renda, desenvolvimento e progresso”.

Rafael Menezes, coordenador de inovação em tecnologias setoriais na Secretaria de Empreendedorismo e Inovação do MCTIC, conta que o desenvolvimento do biogás é uma
das prioridades estratégicas do ministério. “O potencial brasileiro da produção de biogás e de biometano é uma vantagem que está sendo pouco explorada. Temos que criar políticas públicas e um ambiente favorável para que possamos utilizar cada vez mais esse potencial”.

Já Andrea Faria, coordenadora nacional de energia do Sebrae, reforça o aspecto economicamente sustentável da produção energética a partir do biogás. “Vislumbramos o biogás como uma alternativa que trabalha toda a questão da economia circular: retirar a emissão [de gases poluentes], produzir energia, consumir a energia. O biogás sendo despachável, armazenável e não-intermitente, se caracteriza como uma oportunidade muito grande para a gente investigar, explorar quais são os benefícios que temos para o pequeno negócio”.

A coordenadora aposta nos benefícios do biogás como um diferencial mercadológico para micro e pequenas empresas. “Precisamos trabalhar na transição da matriz energética e no que ela significa em termos de imagem, em termos de marca, em termos de posicionamento em relação à competitividade dentro do mercado”.

Maycon Vendrame, engenheiro da Itaipu Binacional na área de energias renováveis, lembra que o Brasil assinou acordos internacionais de redução da emissão de gases de efeito estufa, e que o biogás pode ajudar a manter o compromisso. “A gente sabe que, apesar de o Brasil ser um dos países exemplares no uso de energia limpa, a nossa matriz, principalmente no transporte, tem um alto nível de emissão de gases de efeito estufa e de uso de combustíveis fósseis”.

Uma das unidades de demonstração apoiadas pelo CIBiogás e apresentadas durante o treinamento no Paraná é a granja São Pedro Colombari, localizada em São Miguel do Iguaçu, no oeste do estado. Com uma criação de 5 mil suínos, a granja é capaz de gerar 770 metros cúbicos de biogás por dia, o que resulta em uma economia de 5 mil reais por mês em custos com energia.

Outro exemplo no estado é a granja Haacke, no município de Santa Helena, cuja criação de aves e bovinos resulta em uma produção diária de mais de 1 mil metros cúbicos de biogás, utilizado para abastecer o negócio com energia elétrica, térmica e veicular. Com o procedimento, a granja Haacke economiza 10 mil reais
por mês em custos com energia.

O projeto GEF Biogás, intitulado “Aplicações do Biogás na Agroindústria Brasileira”, prevê ações locais e federais de estímulo à integração sustentável do biogás na cadeia produtiva nacional.