UNICEF: violência contra crianças em zonas de guerra ‘não pode ser novo normal’

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Ao longo de 2017, meninos e meninas em zonas de conflito foram atacados em uma escala chocante, afirmou nesta quinta-feira (28) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Em confrontos em todo o mundo, crianças se tornaram alvo nas linhas de frente, usadas como escudos humanos, mortas, mutiladas ou recrutadas para lutar. O estupro, o casamento forçado, o sequestro e a escravização tornaram-se táticas padrão em situações de guerra, do Iraque, Síria e Iêmen até Nigéria, Sudão do Sul e Mianmar.

Crianças em centro de proteção no Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Hakim George

Crianças em centro de proteção no Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Hakim George

Ao longo de 2017, meninos e meninas em zonas de conflito foram atacados em uma escala chocante, afirmou nesta quinta-feira (28) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Em confrontos em todo o mundo, crianças se tornaram alvo nas linhas de frente, usadas como escudos humanos, mortas, mutiladas ou recrutadas para lutar. O estupro, o casamento forçado, o sequestro e a escravização tornaram-se táticas padrão em situações de guerra, do Iraque, Síria e Iêmen até Nigéria, Sudão do Sul e Mianmar.

A agência da ONU alertou que, no geral, as partes em conflito desconsideraram descaradamente as normativas internacionais destinadas a proteger os mais vulneráveis.

“As crianças estão sendo alvo e expostas a ataques e violência brutais em suas casas, escolas e locais de recreação”, disse Manuel Fontaine, diretor global dos Programas de Emergência do UNICEF. “Uma vez que esses ataques continuam ano após ano, não podemos ficar entorpecidos. Essa brutalidade não pode ser o novo normal.”

Em alguns contextos, as crianças sequestradas por grupos extremistas são vítimas de abusos mesmo após serem libertadas, pois, muitas vezes, são detidas por forças de segurança. Outros milhões de crianças estão pagando um preço indireto pelos conflitos, sofrendo de desnutrição, doenças e trauma uma vez que serviços básicos – incluindo acesso a alimentos, água, saneamento e saúde – lhes são negados.

O UNICEF compilou uma lista de fatos marcantes sobre violações dos direitos de meninos e meninas em zonas de conflito ao longo de 2017:

  • No Afeganistão, quase 700 crianças foram mortas nos primeiros nove meses do ano;
  • Na República Centro-Africana, após meses de novos combates e um aumento dramático da violência, crianças foram mortas, estupradas, raptadas e recrutadas por grupos armados;
  • Na região do Kasai, na República Democrática do Congo, a violência expulsou 850 mil crianças de suas casas. Mais de 200 centros de saúde e 400 escolas foram atacados. Cerca de 350 mil crianças sofreram de desnutrição aguda grave.
  • No nordeste da Nigéria e em Camarões, o Boko Haram forçou pelo menos 135 crianças a atuar como homens-bomba, quase cinco vezes mais do que em 2016;
  • No Iraque e na Síria, as crianças teriam sido usadas como escudos humanos, presas sob cerco, atacadas por atiradores e vivido sob intensos bombardeios e violência;
  • Em Mianmar, as crianças rohingyas foram vítimas de uma violência chocante e generalizada quando foram atacadas e expulsas de suas casas no estado de Rakhine. Em áreas remotas de fronteira, nos estados de Kachin, Shan e Kayin, crianças continuaram a sofrer as consequências das tensões em curso entre as Forças Armadas de Mianmar e vários grupos étnicos armados;
  • No Sudão do Sul, onde o conflito e uma economia em colapso levaram a declarações de fome em partes do país, mais de 19 mil crianças foram recrutadas pelas forças armadas e por grupos armados e mais de 2,3 mil crianças foram mortas ou feridas desde que o conflito começou, em dezembro de 2013.
  • Na Somália, 1740 casos de recrutamento de crianças foram relatados nos primeiros dez meses de 2017;
  • No Iêmen, cerca de mil dias de luta deixaram pelo menos 5 mil crianças mortas ou feridas, de acordo com dados verificados. O UNICEF acredita que os números reais sejam muito maiores. Mais de 11 milhões de crianças precisam de ajuda humanitária no país. Dos 1,8 milhão de crianças que sofrem de desnutrição, 385 mil estão gravemente desnutridas e correm risco de morte se não forem tratadas com urgência.

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