UNICEF pede US$ 3,9 bi para ajudar crianças em crises humanitárias em 2019

Mais de 34 milhões de crianças que vivem em países afetados por conflitos e desastres não têm acesso a serviços vitais de proteção infantil, o que coloca a sua segurança, bem-estar e também o seu futuro em risco, alertou nesta terça-feira (29) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Organismo lançou apelo de 3,9 bilhões de dólares para financiar suas iniciativas de assistência em crises humanitárias ao longo de 2019. UNICEF explica que o orçamento permitira à agência da ONU fornecer água potável, nutrição, educação, saúde e proteção para 41 milhões de meninos e meninas em 59 países em todo o mundo.

Em abril de 2018, crianças caminhavam pelo acampamento improvisado de Fafin, na Síria, após suas famílias fugirem do distrito de Afrin, devido à escalada de violência na região. Foto: UNICEF/Al-Issa

Em abril de 2018, crianças caminhavam pelo acampamento improvisado de Fafin, na Síria, após suas famílias fugirem do distrito de Afrin, devido à escalada de violência na região. Foto: UNICEF/Al-Issa

Mais de 34 milhões de crianças que vivem em países afetados por conflitos e desastres não têm acesso a serviços vitais de proteção infantil, o que coloca a sua segurança, bem-estar e também o seu futuro em risco, alertou nesta terça-feira (29) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Organismo lançou apelo de 3,9 bilhões de dólares para financiar suas iniciativas de assistência em crises humanitárias ao longo de 2019.

O relatório do UNICEF Ação Humanitária para Crianças explica que o orçamento permitira à agência da ONU fornecer água potável, nutrição, educação, saúde e proteção para 41 milhões de meninos e meninas em 59 países em todo o mundo.

O financiamento de programas de proteção infantil responde por 385 milhões de dólares do apelo total, incluindo nessa parcela quase 121 milhões de dólares para a resposta à crise na Síria.

“Hoje, milhões de crianças que vivem em meio a conflitos ou desastres estão sofrendo níveis horríveis de violência, sofrimento e trauma”, ressaltou a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore.

“Não se pode subestimar a importância do trabalho que fazemos no âmbito da proteção infantil. Quando as crianças não têm lugares seguros para brincar, quando não podem se reunir com suas famílias, quando não recebem apoio psicossocial, elas não se curam das cicatrizes invisíveis da guerra.”

Dos mais de 34 milhões de crianças que vivem em situação de confronto armado ou desastres naturais e não contam com serviços de proteção infantil, 6,6 milhões estão no Iêmen. Outros 5,5 milhões vivem na Síria e 4 milhões na República Democrática do Congo.

Os cinco maiores apelos individuais são para refugiados sírios e comunidades de acolhimento no Egito, Jordânia, Líbano, Iraque e Turquia (904 milhões de dólares); Iêmen (542,3 milhões); República Democrática do Congo (326,1 milhões); Síria (319,8 milhões) e Sudão do Sul (179,2 milhões).

Há também um apelo de 69,5 milhões de dólares para a crise migratória venezuelana. A resposta inclui o Brasil e outros países da região.

Com o orçamento e a parceria de outras instituições de ajuda humanitária, o programa do UNICEF para 2019 inclui metas robustas: dar apoio psicossocial para 4 milhões de crianças e cuidadores em todo o mundo; levar água potável para quase 43 milhões de pessoas; alcançar 10,1 milhões de crianças com educação básica formal ou não formal; imunizar 10,3 milhões de crianças contra o sarampo; e tratar 4,2 milhões de crianças com desnutrição aguda grave.

Mas o que é proteção infantil? Entenda…

Os serviços de proteção infantil incluem todos os esforços para prevenir abusos, negligência, exploração, traumas e violência. O UNICEF também trabalha para assegurar que a proteção infantil esteja no centro de outros programas humanitários da organização – incluindo o fornecimento de água, saneamento e higiene, educação e outras áreas de trabalho. Isso é feito por meio de medidas para identificar, mitigar e responder aos perigos potenciais para a segurança e o bem-estar das crianças.

Restrições orçamentárias — combinadas com outros desafios, como o crescente desprezo de grupos armados pelo direito internacional humanitário — limitam severamente a capacidade das agências de assistência de proteger as crianças. Na República Democrática do Congo, por exemplo, o UNICEF recebeu somente um terço dos 21 milhões de dólares necessários para os programas de proteção infantil em 2018. Na Síria, o orçamento ficou defasado em 20% no ano passado.

“Fornecer para essas crianças o apoio de que precisam é fundamental, mas sem uma ação internacional significativa e sustentada, muitas crianças continuarão em (situação de) privação”, alerta o diretor global do Programa de Emergência do UNICEF, Manuel Fontaine. “A comunidade internacional deve se comprometer a apoiar a proteção de crianças em situações de emergência.”

O ano de 2019 marca o 30º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança e o 70º aniversário das Convenções de Genebra. Hoje mais países estão envolvidos em conflitos internos ou internacionais do que em qualquer outro momento nas últimas três décadas, o que ameaça a segurança e o bem-estar de milhões de crianças.

O apelo do UNICEF é apresentado um mês depois de a agência da ONU afirmar que o mundo está falhando na proteção das crianças que vivem em conflitos, com consequências catastróficas. Jovens que são continuamente expostos a violência ou conflitos, especialmente em uma idade precoce, correm o risco de viver num estado de estresse tóxico – uma condição que, sem o apoio correto, pode levar a efeitos negativos em seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional ao longo de toda a vida.

Algumas crianças afetadas por guerras, deslocamentos e outros eventos traumáticos – como violência sexual e baseada em gênero – precisam de cuidados especializados para ajudá-las a lidar com a situação e se recuperar.


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