UNICEF pede investigação sobre supostos assassinatos de crianças na República Centro-Africana

Millhares de pessoas foram forçadas a deixar suas casas por causa dos conflitos na República Centro-Africana. Foto: ACNUR/D. Mbaiorem

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) pediu ao governo de transição na República Centro-Africana que investigue imediatamente recentes alegações de morte de crianças em meio à violência renovada no país.

“Se confirmado, os criminosos devem ser levados à justiça. Desde o início da crise, a população tem estado desesperada por proteção. A impunidade precisa acabar imediatamente para quebrar o círculo vicioso de violência”, afirmou Souleymane Diabate, representante do UNICEF no país, em comunicado à imprensa.

O governo de transição está encarregado de restaurar a lei e a ordem e pavimentar um caminho para eleições democráticas no país, que se recupera da onda de violência iniciada em dezembro do ano passado, quando a coalização rebelde Séléka lançou uma série de ataques. No entanto, denúncias recentes de ações armadas e massacres ameaçam desestabilizar a nação, cuja população inteira – de cerca de 4,6 milhões de pessoas – precisa de ajuda humanitária.

Desde setembro, confrontos entre grupos locais de autodefesa chamados ‘Anti-Balaka’ e ex-integrantes do Séléka provocaram deslocamentos em larga escala de até 400 mil pessoas, segundo a UNICEF. Segundo relatos, esses ataques resultaram na morte de civis, incluindo crianças, no noroeste da República Centro-Africana, especialmente Bossangoa, Bouar, Bohong e Yaloke.

O UNICEF também pede ao governo de transição e a todas as forças e grupos armados em operação no país para que se atenham às leis internacionais, o que inclui resoluções do Conselho de Segurança da ONU que visam a acabar com o recrutamento, uso, morte, mutilação e violência sexual contra crianças em situações de conflito armado.

Com tantas famílias deslocadas e ainda com medo de retornar às suas casas, equipes do UNICEF montaram duas áreas em lugares de deslocamento em Bossangoa, onde até 600 crianças podem se sentir seguras e protegidas, brincar, ter acesso a atividades recreacionais e artísticas e receber aconselhamento e apoio.