UNICEF pede fim de maus-tratos a crianças palestinas detidas por Israel

Novo relatório identifica o que parece ser violência “generalizada, sistemática e institucionalizada”. Em média, duas crianças de 12 a 17 anos são presas por dia.

Tribunal Militar e prisão na Cisjordânia Foto: UNICEF/EnnaimiCrianças palestinas detidas por militares israelenses estão sujeitas a maus-tratos que “parecem ser generalizados, sistemáticos e institucionalizados”, de acordo com o relatório Crianças em detenção militar israelense: observações e recomendações, divulgado na quarta-feira (6) pelo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

De acordo com o documento, cerca de 700 crianças palestinas com idades entre 12 e 17 anos são presas, interrogadas e detidas a cada ano por forças israelenses de segurança em circunstâncias contrárias às leis internacionais e aos direitos da criança.

Nos últimos dez anos, foram cerca de 7 mil crianças detidas – a maioria meninos -, uma média de duas por dia.

Baseado em entrevistas com algumas dessas crianças e advogados israelenses e palestinos, assim como em revisões de casos, o UNICEF concluiu que parece haver um padrão de maus-tratos durante a detenção, transferência e interrogatórios de crianças detidas.

Há relatos de prisões sendo feitas entre meia-noite e 5 horas por soldados fortemente armados. Abuso verbal e físico, ameaças, uso de vendas, encarceramento solitário, isolamento da família também estão entre as denúncias.

No relatório, o UNICEF recomenda mudanças nas políticas para evitar violações das leis internacionais e salvaguardar as autoridades de falsas acusações de transgressão.

O Fundo esclarece que “a prisão, detenção ou encarceramento de uma criança deve ser usado apenas como último recurso e pelo menor período adequado de tempo”.

O documento também apontou algumas melhorias já feitas, como o aumento da idade adulta de 16 a 18 para as crianças palestinas.

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