UNICEF leva vacinas para quase metade de todas crianças com menos de 5 anos

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Em 2016, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) adquiriu 2,5 bilhões de doses de vacinas para crianças vivendo em cerca de cem países. Agência da ONU é a maior compradora de tratamentos de imunização do mundo.

Vacinação de crianças no distrito de Rossey Keo, em Phnom Penh, no Camboja. Foto: UNICEF/Llaurado

Vacinação de crianças no distrito de Rossey Keo, em Phnom Penh, no Camboja. Foto: UNICEF/Llaurado

Em 2016, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) adquiriu 2,5 bilhões de doses de vacinas para crianças vivendo em cerca de cem países. Com isso, a agência da ONU imunizou contra diferentes doenças quase metade de todas as crianças com menos de cinco anos de idade. Os números, divulgados na quarta-feira (26), durante a Semana Mundial da Imunização, fazem do organismo o maior comprador de vacinas para jovens.

A Nigéria, o Paquistão e o Afeganistão — os três países onde a poliomielite ainda é endêmica — receberam mais doses de vacinas do que qualquer outro Estado-membro. Foram quase 450 milhões de doses adquiridas para meninos e meninas do país africano. Outras 395 milhões de vacinas foram disponibilizadas para jovens paquistaneses e, no Afeganistão, o UNICEF entregou mais de 150 milhões de doses.

A agência da ONU é a principal compradora para a Iniciativa Global de Erradicação da Pólio.

O acesso à imunização levou a uma diminuição significativa das mortes de crianças com menos de cinco anos por doenças preveníveis por meio da vacinação. Entre 2000 e 2015, óbitos nessa faixa etária em decorrência do sarampo diminuíram 85%, e os de tétano neonatal, 83%. Nesse período, também houve uma redução de 47% nos falecimentos por pneumonia e de 57% nas mortes por diarreia — ambas as quedas foram associadas às vacinas.

Apesar das conquistas, o UNICEF estima que 19,4 milhões de crianças ainda não tomem todas as devidas vacinas a cada ano. Cerca de dois terços de todas as crianças não vacinadas vivem em países afetados por conflitos. Sistemas de saúde frágeis, pobreza e desigualdades sociais também são responsáveis pelo fato de que um quinto de todos as meninas e meninos com menos de cinco anos ainda não tenha acesso a vacinas.

“Todas as crianças, não importando onde morem ou em que circunstâncias vivam, têm o direito de sobreviver e prosperar, a salvo de doenças fatais”, disse o chefe de Imunização do UNICEF, Robin Nandy. “Desde 1990, a imunização tem sido uma das principais razões para a queda substancial da mortalidade infantil, mas, apesar desse progresso, 1,5 milhão de crianças ainda morrem de doenças que podem ser prevenidas por vacina todos os anos.”

As desigualdades persistem entre ricos e pobres. Nos países onde ocorrem 80% das mortes de jovens com menos de cinco anos, mais da metade das crianças mais pobres não estão com as vacinas em dia e, por isso, não estão totalmente protegidas. Globalmente, as crianças mais pobres têm quase duas vezes mais chance de morrer antes dos cinco anos do que as mais ricas.

“Além das crianças que vivem em comunidades rurais onde o acesso a serviços é limitado, mais e mais crianças que vivem em cidades superpovoadas e comunidades populares também estão perdendo vacinas vitais”, explicou Nandy.

“A superpopulação (de áreas residenciais), a pobreza, a falta de higiene e saneamento, assim como nutrição e cuidados de saúde inadequados, aumentam o risco de doenças como pneumonia, diarreia e sarampo nessas comunidades. Doenças que são facilmente evitáveis com vacinas”, acrescentou o especialista.

Em 2030, uma em cada quatro pessoas viverá em comunidades urbanas pobres, principalmente na África e na Ásia, o que significa, segundo o UNICEF, que o foco e o investimento dos serviços de imunização devem ser adaptados às necessidades específicas desses moradores e crianças.


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