UNICEF lança apelo humanitário de 2,8 bilhões de dólares para crianças em situações de emergência

A crise na Síria provocou aumento exponencial da necessidade da educação em situações de emergência. O apelo visa a aumentar o número de crianças na escola em zonas de conflito de 4,9 milhões em 2015 para 8,2 milhões neste ano.

Foto: Facebook UNICEF

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O Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) lançou nesta terça-feira (26) um apelo de 2,8 bilhões de dólares para alcançar 43 milhões de crianças em emergências humanitárias em todo o mundo. Neste ano, o UNICEF planeja aumentar consideravelmente o número de crianças que passarão a ter acesso à educação em situação de crise, dedicando, pela primeira vez, 25% do orçamento a esta questão.

Por esta razão, pela primeira vez, a maior proporção do apelo – 25% – destina-se à educação das crianças em situações de emergência. O apelo tem o intuito de aumentar o número de crianças na escola de 4,9 milhões no início de 2015 para 8,2 milhões em 2016. Cerca de 5 milhões de beneficiadas serão crianças sírias que se encontram dentro do país ou em países vizinhos.

“Milhões de crianças estão sendo privadas da sua educação”, afirmou a diretora dos Programas de Emergência do UNICEF, Afshan Khan. “Educação é uma medida que salva a vida das crianças e lhes dá a oportunidade de aprender e brincar, no meio da carnificina causada por disparos e granadas. Neste ano, um quarto do nosso apelo é dedicado à educação. Ao educar a mente das crianças e dos jovens, estamos fomentando esperança para que possam vislumbrar um futuro melhor para eles mesmos, para as suas famílias e sociedades e possam quebrar o ciclo da crise crônica”.

O apelo do UNICEF para 2016 dobrou em relação ao apelo feito há três anos. Os conflitos e as condições meteorológicas extremas estão forçando um número cada vez maior de crianças a deixar sua casa e expondo outros milhões mais a uma severa escassez de alimentos, à violência, às doenças, aos maus-tratos, bem como a ameaças à sua educação.

Uma em cada nove crianças em zonas de conflito

Aproximadamente uma em cada nove crianças no mundo vive agora em zonas de conflito. Em 2015, crianças que viviam em países e áreas afetados por conflitos tinham o dobro de chance de morrer de doenças predominantemente evitáveis antes de completar 5 anos de idade do que crianças em outros países.

As mudanças climáticas constituem uma ameaça crescente. Mais de 500 milhões de crianças vivem em zonas com ameaças frequentes de inundações e cerca de 160 milhões vivem em zonas de secas graves ou extremamente graves. O fenômeno climático causado por El Niño, que neste ano é um dos mais graves na história, aumenta ainda mais os riscos.

“Nos últimos meses vi, com os meus próprios olhos, crianças forçadas a transpor os limites do sofrimento humano no Burundi, no nordeste da Nigéria e ao longo das rotas dos refugiados e migrantes na Europa”, declarou Khan. “Em todo o mundo, milhões de crianças foram forçadas a fugir de sua casa devido à violência e ao conflito. A crise global dos refugiados constitui também uma crise de proteção para as crianças em movimento, que se encontram expostas a um risco maior de maus-tratos, exploração e tráfico”.

O apelo Ação Humanitária para Crianças 2016, do UNICEF, visa alcançar um total de 76 milhões de pessoas em 63 países, destacados em função da escala dessas crises, da urgência do seu impacto sobre as crianças e mulheres, da complexidade da resposta, e da capacidade de resposta.

Os fundos arrecadados pelo UNICEF serão utilizados para a resposta humanitária imediata, bem como para o trabalho de longo prazo de preparação dos países para futuros desastres.

Em 2015, o UNICEF alcançou milhões de crianças com a sua ajuda humanitária – proporcionou o acesso a água potável para 22,6 milhões de pessoas; vacinou 11,3 milhões de crianças contra o sarampo; tratou 2 milhões de crianças afetadas pela forma mais séria de desnutrição; ofereceu apoio psicológico vital a 2 milhões de crianças; e deu acesso à educação básica a 4 milhões de crianças.

A versão integral do apelo Ação Humanitária para Crianças 2016 e as informações por país estão disponíveis (em inglês) aqui.