UNICEF garante assistência médica e nutricional para crianças venezuelanas em Roraima

A mãe de Nelwin, Silviane Garcia, teve papel fundamental na melhora do menino e comemora a boa saúde do filho. Foto: UNICEF/Inaê Brandão

Com um ano e nove meses, Nelwin Torres vive correndo e brincando com os primos e tios pelo abrigo Janokoida, para venezuelanos indígenas, em Pacaraima (RR). Entre um jogo e outro, o menino para um pouco para mamar ou comer algo feito pela mãe, Silviane Garcia, de 21 anos.

Quem vê Nelwin hoje não imagina que, há seis meses, quando a equipe de saúde e nutrição do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da ADRA Brasil conheceu o menino, a situação era bem diferente. Na época, ele não andava e tinha parado de engatinhar. O garoto não brincava e não tinha força para comer.

O menino venezuelano veio para o Brasil com a família em setembro de 2018. Indígenas da etnia warao, eles viviam na região de Delta Amacuro, na Venezuela. Logo após completar um ano, Nelwin ficou doente e começou a perder peso. Embora não tenha sido diagnosticado, os sintomas indicavam uma gastroenterite.

“Ele estava brincando um dia no chão e acabou comendo lixo. Depois disso, ficou muito doente, com vômito, diarreia e febre. Ele era forte, mas deixou de comer, parou de engatinhar e perdeu bastante peso. Fiquei muito preocupada e com medo de que ele morresse. Quando isso aconteceu, viemos para o Brasil”, conta a mãe de Nelwin.

O bebê Nelwin agora brinca com outra crianças warao no abrigo onde mora, em Pacaraima (RR). Foto: UNICEF/Inaê Brandão

Foi no início de novembro de 2018 que a equipe do UNICEF e da ADRA, formada por enfermeira, nutricionista e monitores de saúde, teve o primeiro contato com Nelwin. O menino estava com um peso muito baixo para a idade, sofria com desidratação e tinha sinais de perda de gordura corporal e de deficiências nutricionais. O risco para uma criança nessa situação é o retardo no desenvolvimento físico e cognitivo. Em casos mais graves, há chance de evolução do quadro para a desnutrição aguda, que oferece risco à vida.

O acompanhamento diário da equipe começou a reverter o cenário. O menino foi encaminhado ao médico, a carteira de vacinação foi atualizada e remédios antiparasitários foram administrados. Também foi oferecida uma suplementação em sua dieta, com o auxílio da Prefeitura de Pacaraima e com o uso do NutriSUS, que faz parte da estratégia de fortificação alimentar com micronutrientes do governo federal brasileiro.

Para evitar novas ocorrências de diarreia e vômito, os profissionais de saúde explicaram os cuidados de higiene que deveriam ser tomados com o bebê. Os agentes enfatizaram para a família de Nelwin a necessidade de atenção com a limpeza do menino e do ambiente em que ele vive, com a água e com os alimentos preparados para ele.

Com apoio nutricional, Nelwin superou a perda de peso e voltou a ser uma criança ativa. Foto: UNICEF/Inaê Brandão

O esforço de Silviane e da família foi essencial para a recuperação de Nelwin. É com alegria que ela conta as aventuras que o menino vive hoje no Janokoida. “Agora ele corre tanto que cai e se bate, brinca e acaba brigando com as outras crianças, mas prefiro ele assim, ativo, do que como era. Antes ele só dormia, tinha que acordá-lo para comer, agora tenho que correr atrás dele para dar comida porque ele sai brincando por aí. O que quero para meu filho é isto: que ele siga adiante.”

Para cada criança, saúde

Nelwin é uma das 280 crianças indígenas atendidas pela equipe de saúde e nutrição no Janokoida. Uma vez realizada a avaliação nutricional, os casos de crianças com baixo peso, com muito baixo peso ou que estão acima do peso são encaminhados para os serviços de nutrição municipais e passam a ser acompanhados de forma mais contínua.

Os profissionais também garantem para todas as crianças do abrigo o direito ao acesso à saúde no Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde. Todos os meninos e meninas do abrigo estão com a vacinação em dia.

Além do Janokoida, a parceria na saúde do UNICEF e da ADRA Brasil atende a oito abrigos para venezuelanos em Roraima. O programa beneficia cerca de 2,5 mil meninos e meninas.

O projeto de saúde e nutrição implementado pelo UNICEF em Roraima é possível por meio do trabalho de seus parceiros e por meio do financiamento do Escritório de População, Refugiados e Migração do governo dos Estados Unidos (BPRM/USA) e do Fundo Central de Resposta à Emergência das Nações Unidas (CERF).

Conheça o trabalho do UNICEF Brasil pelas crianças e pelos adolescentes migrantes venezuelanos — clique aqui.