UNICEF: fome avança e leva desnutrição e doenças para crianças na Somália

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Centenas de centros de nutrição apoiados pelo UNICEF trataram mais de 35,4 mil crianças com desnutrição aguda grave entre janeiro e fevereiro. O número corresponde a aumento de 58% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além disso, mais de 18,4 mil casos de cólera e diarreia aquosa foram registados desde o início de 2017, superando os 15,6 mil relatados em todo o ano passado. A maioria dos casos ocorre em crianças pequenas. ONU corre contra o tempo para evitar mortes na região.

Médico usa uma fita métrica para identificar a desnutrição aguda grave em um campo para refugiados na Somália. Foto: UNICEF / Holt

Médico usa uma fita métrica para identificar a desnutrição aguda grave em um campo para refugiados na Somália. Foto: UNICEF / Holt

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou na quinta-feira (30) para os altos números de crianças afetadas pela desnutrição aguda e o cólera na Somália.

Centenas de centros de nutrição apoiados pela agência trataram mais de 35,4 mil menores com desnutrição aguda grave entre janeiro e fevereiro. O número corresponde a aumento de 58% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além disso, mais de 18,4 mil casos de cólera e diarreia aquosa foram registados desde o início de 2017, superando os 15,6 mil que foram relatados em todo o ano passado. A maioria dos casos ocorre em crianças pequenas.

“As crianças estão morrendo de desnutrição, fome, sede e doenças. Durante a epidemia de fome de 2011, cerca de 130 mil crianças morreram, sendo que aproximadamente metade delas foram a óbito antes de a fome ser declarada. Estamos trabalhando com parceiros 24 horas por dia para evitar que isso aconteça novamente”, disse a diretora regional do UNICEF para a África Oriental e Austral, Leila Pakkala.

Segundo a agência da ONU, desta vez, a crise na Somália é mais generalizada, afetando Somalilândia, Puntlândia e áreas pastorais do país, além do centro e partes do Sul que foram mais atingidas em 2011.

Em fevereiro, o UNICEF disse que cerca de 944 mil crianças estariam com desnutrição aguda em 2017, incluindo 185 mil crianças que sofrem de desnutrição aguda grave e que precisariam de apoio urgente. Esse número pode disparar mesmo que as chuvas, que devem começar em abril, cheguem na hora e integralmente.

Diante da situação de risco, a agência da ONU na Somália elevou sua necessidade de financiamento de 2017 de 66 milhões de dólares para 147 milhões.

“Em 2011, o financiamento chegou após a declaração oficial da epidemia de fome, em julho”, disse Pakkala. “Este ano, muitos doadores chegaram cedo. Mas o pior ainda pode estar à nossa frente. Temos uma pequena janela para evitar uma perda maciça de vidas”, continuou.

‘Somália vive um momento de tragédia e esperança’, diz enviado especial

O enviado das Nações Unidas na Somália disse na semana passada ao Conselho de Segurança da ONU que o país africano vive “um momento de tragédia e esperança”.

Para Michael Keating, a situação é trágica pela crise humanitária devido à seca com o risco de fome iminente. No entanto, ele destacou que a fase é de esperança pelo recente processo eleitoral que impulsiona “um novo compromisso político entre os somalis”.

Em sua declaração, o representante do secretário-geral apontou ainda que a eliminação do terrorismo no país continua sendo outra questão urgente. Para ele, uma abordagem multidimensional, embutida em uma estratégia política, é necessária para degradar e desmantelar o grupo armado Al-Shabaab.

Enviado das Nações Unidas na Somália, Michael Keating, atualiza Conselho de Segurança sobre situação na Somália. Foto: ONU / Manuel Elias

Enviado das Nações Unidas na Somália, Michael Keating, atualiza Conselho de Segurança sobre situação na Somália. Foto: ONU / Manuel Elias

Keating também observou que a construção de uma estrutura de segurança confiável é essencial, e acrescentou que sua criação oferece uma grande oportunidade para a consolidação do Estado Federal.

Ele também falou sobre a necessidade de avançar o processo constitucional e fortalecer os esforços de resolução de conflitos por meio da inclusão de todos os setores da sociedade, incluindo mulheres, jovens, minorias e empresas, na resolução pacífica de conflitos.

“Estou especialmente preocupado com os ataques a jornalistas e com o aumento da violência sexual contra mulheres internamente deslocadas e membros de clãs minoritários”, disse ele, sublinhando a necessidade de fortalecer a capacidade de proteção dos direitos humanos no país.

Keating apelou ao Conselho de Segurança para que continue apoiando a nova liderança da Somália, o novo presidente e novo primeiro-ministro, para enfrentar os desafios que o país enfrenta de maneira eficiente.


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