UNICEF envia ajuda para pessoas afetadas por ciclone Idai em Moçambique

“Estamos numa corrida contra o tempo para ajudar e proteger as crianças nas áreas devastadas pelo desastre em Moçambique”, afirmou a diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore, no final de uma visita a Beira, uma das áreas mais afetadas pelo ciclone Idai.

O UNICEF está preocupado com o fato de que inundações, combinadas com condições de superlotação nos abrigos, falta de higiene, água estagnada e fontes de água infectadas, coloquem crianças e famílias em risco de doenças como cólera, malária e diarreia.

Menino olha para a câmera, enquanto (à esquerda) a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore, fala com pessoas deslocadas internamente durante visita a uma escola secundária usada como abrigo em 22 de março de 2019, em Beira, Moçambique. Foto: UNICEF/Prinsloo

Menino olha para a câmera, enquanto (à esquerda) a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore, fala com pessoas deslocadas internamente durante visita a uma escola secundária usada como abrigo em 22 de março de 2019, em Beira, Moçambique. Foto: UNICEF/Prinsloo

“Estamos numa corrida contra o tempo para ajudar e proteger as crianças nas áreas devastadas pelo desastre em Moçambique”, afirmou a diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore, no final de uma visita a Beira, uma das áreas mais afetadas pelo ciclone Idai.

De acordo com estimativas iniciais do governo, 1,8 milhão de pessoas em todo o país, incluindo 900 mil crianças, foram afetadas pelo ciclone que atingiu o país na semana passada. No entanto, muitas áreas ainda não são acessíveis e o UNICEF e seus parceiros no país sabem que os números finais serão muito mais elevados.

“A situação vai piorar antes de melhorar”, disse Fore. “As agências de ajuda humanitária ainda estão começando a ver a escala do dano. Vilarejos inteiros ficaram submersos, prédios desabaram e escolas e centros de saúde foram destruídos. Embora as operações de busca e salvamento continuem, é fundamental que tomemos todas as medidas necessárias para evitar a disseminação de doenças transmitidas pela água, o que pode transformar este desastre em uma catástrofe ainda maior”.

O UNICEF está preocupado com o fato de que inundações, combinadas com condições de superlotação nos abrigos, falta de higiene, água estagnada e fontes de água infectadas, coloquem crianças e famílias em risco de doenças como cólera, malária e diarreia.

As avaliações iniciais em Beira indicam que mais de 2.600 salas de aula foram destruídas e 39 centros de saúde foram de alguma forma afetados. Pelo menos 11 mil casas foram totalmente destruídas. “Isso terá sérias consequências na educação, no acesso aos serviços de saúde e no bem-estar mental das crianças”, disse Fore.

Em Beira, Fore visitou uma escola transformada num abrigo para famílias deslocadas. As salas de aula foram convertidas em quartos superlotados com acesso limitado a água e saneamento.

“Estamos particularmente preocupados com a segurança e o bem-estar de mulheres e crianças que ainda estão esperando para serem resgatadas ou estão amontoadas em abrigos temporários e em risco de violência e abuso”, disse Fore. “Também estamos preocupados com crianças que ficaram órfãs em decorrência do ciclone ou se separaram de seus pais no caos que se seguiu”.

Fore também visitou um armazém do UNICEF que foi severamente danificado no ciclone, causando a perda de suprimentos essenciais que haviam sido preposicionados antes que o ciclone chegasse ao continente.

O ciclone Idai começou como uma depressão tropical no Malauí, onde forçou as famílias a sair de suas casas e procurar abrigo em igrejas, escolas e prédios públicos. Quase meio milhão de crianças foram afetadas. Depois de Moçambique, o ciclone teve como destino o Zimbábue, onde causou danos significativos a escolas e sistemas de água.

“Para as crianças afetadas pelo ciclone Idai, o caminho para a recuperação será longo”, disse Fore. “Elas precisarão recuperar o acesso à saúde, à educação, à água e ao saneamento. E elas precisarão se curar do profundo trauma que acabaram de experimentar”.

Segundo ela, equipes do UNICEF estão nos três países, ajudando crianças a aprender, brincar e se curar. “Mas nossos recursos estão sobrecarregados. Inicialmente, precisaremos de 30 milhões de dólares no primeiro estágio da resposta, e estamos confiantes de que nossos doadores públicos e privados serão generosos com os milhares de crianças e famílias que precisam de apoio”.

Sobre o ciclone Idai

O ciclone Idai causou devastação em Malauí, Moçambique e Zimbábue. Centenas de milhares de crianças viram sua vida virada de cabeça para baixo pelas enchentes. Muitas perderam suas casas, escolas, hospitais, amigos e entes queridos.

O UNICEF está se movimentando rapidamente para responder a esse desastre, fornecendo suprimentos de emergência para os campos e comunidades para ajudar os deslocados pelas enchentes.

O que a UNICEF está fazendo?

Obtendo suprimentos médicos para famílias deslocadas

No Malauí, os suprimentos do UNICEF estão chegando às famílias que vivem em centros de evacuação. Os suprimentos incluem milhares de pacotes de sais de reidratação oral, antibióticos e centenas de mosquiteiros tratados com inseticida. Os parceiros do UNICEF, incluindo as autoridades distritais, estão ajudando na entrega dos suprimentos.

Nas áreas afetadas do Zimbábue que são acessíveis, o UNICEF está fornecendo suprimentos médicos, kits de higiene, combustível e sabão. O UNICEF também está entregando pacotes de cuidados de saúde primários, bem como suprimentos médicos e nutricionais essenciais.

Ajudando com busca e salvamento

Em algumas áreas, o dilúvio foi tão extremo que as pessoas não conseguiram encontrar um lugar mais alto para escapar da inundação e foram forçadas a subir em telhados ou em árvores e ficar lá por horas a fio. Os esforços de busca e salvamento estão em andamento, e as equipes internacionais se uniram ao governo de Moçambique em seus esforços.

Fornecimento de acesso a água potável e saneamento

Sem serviços de água, saneamento e higiene seguros e eficazes, as crianças correm um risco elevado de doenças evitáveis, incluindo diarreia, febre tifoide e cólera, e também cada vez mais de ficar vulneráveis à desnutrição. O UNICEF está distribuindo comprimidos de purificação de água e fornecendo latrinas portáteis para as comunidades nas áreas afetadas.

Estabelecendo Espaços Amigos da Criança

Muitas escolas e hospitais foram destruídos ou danificados ou estão sendo usados como abrigo. Uma vez satisfeitas as necessidades imediatas vitais, é crucial que as crianças possam voltar a aprender o mais rapidamente possível – para lhes proporcionar uma sensação de normalidade num tempo de caos extremo.

Ciclone Idai em Moçambique, Zimbábue e Malauí: saiba como ajudar.