UNICEF e parceiros vão dar apoio a famílias de crianças com microcefalia em Recife e Campina Grande

Parceria anunciada nesta semana (20) vai capacitar profissionais de saúde, educação e assistência social para dar apoio psicossocial e orientações de cuidado a famílias que tiveram filhos com microcefalia e outras condições neurológicas associadas ao zika. Familiares das crianças também serão treinados por especialistas.

Iniciativa conta com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), da Johnson & Johnson e do Ministério da Saúde.

Pernambuco é o estado com maior número de casos confirmados de microcefalia registrados em meio à epidemia do vírus zika. Foto: UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

Pernambuco é estado com maior número de casos confirmados de microcefalia registrados em meio à epidemia do vírus zika. Foto: UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a empresa Johnson & Johnson anunciaram na quarta-feira (20) uma nova parceria com organizações da sociedade civil, da ONU e o governo brasileiro para prestar apoio a gestantes, famílias e cuidadores de crianças com microcefalia e outras condições neurológicas associadas ao zika em Recife e Campina Grande.

Ambos os municípios registram altos índices de infecção pelo vírus e estão entre os mais afetados pelo recente surto de microcefalia no Brasil.

Chamado Redes de Inclusão, o projeto da agência da ONU e da empresa de cosméticos será desenvolvido em três frentes consideradas estratégicas: capacitação de profissionais de saúde, de educação e de assistência social; atenção completa e integrada às crianças através da articulação em rede dos atores envolvidos; e assistência a gestantes, famílias e cuidadores.

A iniciativa prevê a elaboração de uma nova metodologia de capacitação para familiares de bebês com microcefalia. O objetivo é garantir que parentes consigam estimular o desenvolvimento das crianças em suas residências.

Esta etapa do programa ficará a cargo do UNICEF, do Ministério de Saúde e da Fundação Altino Ventura, especializada em reabilitação.

“É urgente garantir os direitos à saúde e à proteção de crianças que estão nascendo com síndrome congênita do zika e outras deficiências”, explica a coordenadora do Programa de Sobrevivência e Desenvolvimento Infantil do UNICEF no Brasil, Cristina Albuquerque.

Outro eixo das Redes de Inclusão é a preparação de equipes médicas e de atenção básica para que elas consigam orientar as famílias no cuidado dos recém-nascidos.

Com o UNICEF, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a pasta federal para o tema também vão treinar profissionais para dar apoio psicossocial aos familiares.

O projeto quer fortalecer ainda a articulação entre serviços municipais e estaduais das áreas de saúde, educação e proteção social.

“Após a avaliação e sistematização da estratégia, trabalharemos para que outros municípios possam adotar essa metodologia”, conta Albuquerque. A iniciativa do UNICEF conta com o apoio também do Instituto de Pesquisa e Apoio ao Desenvolvimento Social (IPADS) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS).

Avanço do vírus zika

Segundo o Ministério da Saúde, de outubro de 2015 até 9 de julho de 2016, foram notificados 8.451 casos suspeitos de microcefalia, a maioria na região Nordeste.

Dessas notificações, 1.687 foram confirmadas para microcefalia e/ou outras alterações do sistema nervoso central. Outros 3.142 (37,2%) casos permanecem sob investigação. Até 2014, a média histórica no Brasil havia sido de 156 casos de microcefalia por ano.

Pernambuco continua liderando a lista de estados em relação aos casos de microcefalia confirmados (369), seguido da Bahia (268), Paraíba (148) e Maranhão (131). Juntas, essas unidades federativas representam 63% dos casos confirmados no Nordeste.

Foram confirmados 102 óbitos em consequência de microcefalia ou outras condições neurológicas associadas ao zika, com 68% das mortes no Nordeste, sendo a maioria nos estados do Ceará (21), Paraíba (17) e Rio Grande do Norte (15).

Pernambuco, apesar de apresentar o maior número de casos confirmados, registrou quatro óbitos. Houve um aumento de 33 casos de óbito investigados e confirmados no período entre 4 de junho a 9 de julho de 2016.

O UNICEF destaca que os primeiros anos de vida são decisivos para o desenvolvimento das crianças. Quando consideradas crianças com deficiência, o atendimento adequado e a estimulação precoce são ainda mais críticos.

Essas medidas ajudam a reduzir o comprometimento no desenvolvimento neuropsicomotor decorrentes das malformações congênitas.