UNICEF e governo municipal levam educação sexual para jovens da Fundação Casa em São Paulo

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Nos meses de maio e junho, 31 jovens de 17 a 19 anos participaram de oficinas sobre HIV/AIDS, direitos sexuais e reprodutivos e métodos de prevenção de outras doenças sexualmente transmissíveis. Encontros foram realizados em parceria com a organização não governamental Viração.

Projeto Viva Melhor Sabendo Jovem. do UNICEF, busca ampliar o acesso de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos ao teste do HIV, ao tratamento contra a AIDS e fornecer informações sobre prevenção. Foto: UNICEF

Projeto Viva Melhor Sabendo Jovem. do UNICEF, busca ampliar o acesso de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos ao teste do HIV, ao tratamento contra a AIDS e fornecer informações sobre prevenção. Foto: UNICEF

Durante os meses de maio e junho, em São Paulo, 31 rapazes da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (CASA) participaram de oficinas de educação sexual do programa Viva Melhor Sabendo Jovem. A iniciativa é promovida pela Secretaria Municipal de Saúde na capital paulista com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da organização não governamental Viração.

“Eu pude aprender bastante sobre sexo, sobre como me prevenir para não pegar DSTs [Doenças Sexualmente Transmissíveis] e AIDS, que é uma doença que não tem cura… E falamos bastante também sobre o preconceito que tem na nossa sociedade. Quando você tem uma doença, as pessoas te olham de outra forma. E não pode ser assim”, disse Eduardo*, um dos jovens do projeto.

Aos 18 anos, ele teve suas primeiras aulas sobre direitos sexuais e reprodutivos durante os encontros do Viva Melhor — que foram realizados pela Viração. A iniciativa vinculada ao UNICEF busca ampliar o acesso de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos ao teste do HIV, ao tratamento contra a AIDS e fornecer informações sobre prevenção.

Dados do Boletim Epidemiológico de 2015 do Ministério da Saúde indicam que, nos últimos dez anos, o número de adolescentes e jovens de 15 a 24 anos com HIV aumentou 41% no Brasil.

Em São Paulo, de acordo com informações da Secretaria Municipal de Saúde, nesse mesmo período, a cidade conseguiu reduzir a porcentagem de casos de HIV sem AIDS em homens que fazem sexo com homens em populações entre 30 a 60 anos ou mais. Entretanto, o número aumentou nas faixas etárias de 13 a 29 anos.

Eduardo vivia em Heliópolis até ser encaminhado à Fundação CASA, em São Paulo, para cumprir medida socioeducativa com privação de liberdade. Ele e outros 30 jovens de 17 a 19 anos participaram das aulas de educação sexual.

A última oficina do Viva Melhor foi especial para o rapaz, que busca no funk uma forma de expressar seus sentimentos. Os MCs Ponêis e Cacau Rocha participaram da atividade ajudando a traduzir, por meio da música, questões relacionadas ao tema.

MC Cacau Rocha, uma jovem de 22 anos de Guaianazes, levou questionamentos de gênero para dentro dos debates: “Muitos deles queriam trocar ideia, estavam superempolgados e felizes. O lance da camisinha é muito importante, mas a gente precisa desconstruir e aprofundar esse discurso”, explicou.

“Eles tiveram a liberdade de falar abertamente não só sobre as DSTs, mas também sobre homofobia e questões de gênero. Foi muito legal por que eles se manifestaram. Tudo isso fortalece a garantia dos direitos”, destacou o diretor da unidade da Fundação CASA, Christian Lopes de Oliveira, a respeito do ciclo de formação.

Segundo Oliveira, muitos dos adolescentes e jovens contavam para os familiares o que haviam aprendido e o trabalho permitiu um aprendizado que não era acessível a esses rapazes. Ao final das oficinas, os jovens tiveram a oportunidade de se voluntariar para fazer a testagem de HIV. Dos 31 participantes, 26 realizaram o exame — que é gratuito e sigiloso.

“Esta foi uma excelente oportunidade de cooperação entre o Governo do estado, a Prefeitura, o UNICEF e a Viração, que permitiu levar aos jovens informação, oportunidade de participação e garantia do direito ao acesso aos serviços de saúde por meio do acompanhamento em caso de resultado positivo”, afirmou o coordenador do escritório do UNICEF em São Paulo, Silvio Kaloustian.

*Nome trocado para proteger a identidade do jovem


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