UNICEF dobra equipe nos países afetados pelo ebola; OMS critica atraso das pesquisas para a cura

Segundo o UNICEF, cerca de 5 milhões de crianças foram afetadas pela epidemia atual de várias maneiras – falta de aulas, medo e confinamento – e mais de 4 mil crianças ficaram órfãs.

Vandy Jawad, de 7 anos, é um dos sobreviventes do ebola em Kenema, Serra Leoa. Foto: UNICEF/Dunlop

Vandy Jawad, de 7 anos, é um dos sobreviventes do ebola em Kenema, Serra Leoa. Foto: UNICEF/Dunlop

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) anunciou nesta segunda-feira (3) que a agência planeja aumentar sua equipe de 300 para 600 pessoas para lidar diretamente com o surto do ebola nos três países mais afetados da África Ocidental – Guiné, Libéria e Serra Leoa, onde as crianças já representam um quinto de todos os casos da doença.

O coordenador do UNICEF para Emergência Global do Ebola, Peter Salama, informou que cerca de 5 milhões de crianças foram afetadas pela epidemia atual de várias maneiras e mais de 4 mil crianças ficaram órfãs. “As escolas estão fechadas. As crianças estão confinadas em suas casas e desanimadas para brincar com outras crianças”, ressaltou ele, acrescentando que para estas meninas e meninos a epidemia é “aterrorizante” e “tudo ao seu redor é morte.”

Ausência da cura é uma negligência histórica

Em seu discurso para o Comitê Regional para a África, em Cotonou, a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, alegou que a falta de tratamento e vacinas para combater o ebola até hoje, apesar da doença ter surgido há quatro décadas, se deve ao fato de que o vírus, historicamente, tenha atingido apenas países pobres da África.

“Por que os médicos ainda estão de mãos vazias, sem a vacina e sem a cura?” disse Chan. “O incentivo a pesquisa e o desenvolvimento é praticamente inexistente. Uma indústria com fins lucrativos não investe em produtos para mercados que não podem pagar”, acrescentou. 

Além disso, ela alertou sobre a necessidade urgente de fortalecer os sistemas de saúde há muito tempo negligenciados” e destacou que sem infraestrutura de saúde pública adequada e fundamental na região, “nenhum país é estável e nenhuma sociedade é segura”.