UNICEF: conflitos armados, crise climática e notícias falsas são ameaças às crianças do mundo

Conflitos prolongados, agravamento da crise climática, aumento do nível de doenças mentais entre jovens e desinformação online são algumas das ameaças globais emergentes mais preocupantes para as crianças, disse nesta quarta-feira (18) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em carta aberta da diretora-executiva da organização, Henrietta Fore.

Além das ameaças às pessoas mais jovens — como dificuldades de acesso à educação, pobreza, desigualdade e discriminação —, a carta alerta para ameaças emergentes aos direitos das crianças, e descreve um caminho para enfrentá-las. O texto foi publicado como parte das comemorações do UNICEF para o 30º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança – o tratado de direitos humanos mais amplamente ratificado no mundo.

Em 1 de julho de 2016, Amaia, de 11 anos, uma menina inuíte, pisa em bloco de gelo no Oceano Ártico, em Barrow, Alasca (EUA). O derretimento anômalo do gelo do Ártico é um dos muitos efeitos do aquecimento global que tem sério impacto na vida dos seres humanos e na natureza. Foto: UNICEF

Em 1 de julho de 2016, Amaia, de 11 anos, uma menina inuíte, pisa em bloco de gelo no Oceano Ártico, em Barrow, Alasca (EUA). O derretimento anômalo do gelo do Ártico é um dos muitos efeitos do aquecimento global que tem sério impacto na vida dos seres humanos e na natureza. Foto: UNICEF

Conflitos prolongados, agravamento da crise climática, aumento do nível de doenças mentais entre jovens e desinformação online são algumas das ameaças globais emergentes mais preocupantes para as crianças, disse nesta quarta-feira (18) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em carta aberta da diretora-executiva da organização, Henrietta Fore.

Além das ameaças às pessoas mais jovens — como dificuldades de acesso à educação, pobreza, desigualdade e discriminação —, a carta alerta para ameaças emergentes aos direitos das crianças, e descreve um caminho para enfrentá-las. O texto foi publicado como parte das comemorações do UNICEF para o 30º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança – o tratado de direitos humanos mais amplamente ratificado no mundo.

“E a sua geração, das crianças de hoje, está enfrentando um novo conjunto de desafios e mudanças globais que eram inimagináveis para seus pais”, escreve Fore. “Nosso clima está mudando para além do que poderíamos imaginar. A desigualdade está se aprofundando. A tecnologia está transformando a maneira como percebemos o mundo. E nunca antes tantas famílias migraram. A infância mudou, e precisamos mudar nossas abordagens junto com ela.”

A carta enumera oito desafios crescentes para as crianças do mundo: conflitos prolongados; poluição e crise climática; um declínio na saúde mental; migração em massa e movimentos populacionais; apatridia; habilidades futuras para trabalhos futuros; direitos sobre os seus dados e privacidade online; e desinformação online.

Sobre conflitos, a carta observa que o número de países em conflito é o mais alto desde a adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança, em 1989, com uma em cada quatro crianças vivendo em países afetados por violentos combates ou desastres.

Em relação às mudanças climáticas, a carta adverte que as crianças já estão enfrentando uma destruição desenfreada do planeta e uma crise climática global que tem o potencial de minar a maioria dos ganhos obtidos na sobrevivência e desenvolvimento infantil nos últimos 30 anos.

O aumento dos padrões climáticos extremos e do ar tóxico, secas prolongadas e inundações repentinas fazem parte dessa crise e afetam desproporcionalmente as crianças mais pobres e vulneráveis.

O UNICEF está trabalhando para mitigar o impacto da crise climática em países em todo o mundo. Por exemplo, na Etiópia, foi pioneiro em novas tecnologias para mapear as águas subterrâneas e está desenvolvendo soluções para comunidades com escassez crônica de água.

No Malawi, a agência da ONU desenvolveu um sistema duradouro e ecológico, usando energia solar para melhorar o acesso a água limpa para as comunidades. Contudo, para o UNICEF, é preciso fazer muito mais para desacelerar completamente as mudanças climáticas.

“Os governos e as empresas devem trabalhar de mãos dadas para reduzir o consumo de combustíveis fósseis, desenvolver sistemas agrícolas, industriais e de transporte mais limpos e investir na expansão de fontes de energia renováveis”, escreve Fore.

A carta também expressa preocupação com o fato de que a maioria das crianças cresça como nativas de um ambiente digital saturado com desinformações online. Por exemplo, a tecnologia chamada “deep fake” usa técnicas de inteligência artificial para criar, com relativa facilidade, conteúdos falsos de áudio e vídeo convincentes.

O texto adverte que um ambiente online onde a verdade pode se tornar indistinguível da ficção tem o potencial de minar totalmente a confiança nas instituições e fontes de informação, além de distorcer o debate democrático e as intenções dos eleitores e semear dúvidas sobre outros grupos étnicos, religiosos ou sociais.

A carta adverte que a desinformação online já está deixando as crianças vulneráveis a manipulações, abusos e outras formas de exploração. Também está distorcendo o debate democrático e, em algumas comunidades, provocando o ressurgimento de doenças mortais devido à desconfiança em relação às vacinas. Segundo ela, a disseminação de informações falsas na rede pode resultar em “uma geração inteira de cidadãos que não confiam em nada”.

Para responder a esse desafio, o UNICEF vem desenvolvendo programas-piloto de alfabetização midiática, como o programa Young Reporters em Montenegro, com o objetivo de ensinar jovens a identificar desinformação online, a saber como verificar o conteúdo online e os papéis e técnicas do jornalismo responsável.

“Não podemos seguir acreditando ingenuamente que a verdade tem uma vantagem inata sobre a falsidade na era digital e, portanto, devemos, como sociedades, construir resiliência contra o dilúvio diário da falsidade online”, escreve Fore. “Devemos começar equipando os jovens com a capacidade de entender em quem e em que podem confiar online, para que se tornem cidadãos ativos e engajados.”

Sobre saúde mental, a carta adverte que as doenças mentais entre os adolescentes têm aumentado nos últimos anos desde a adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança, e que a depressão está agora entre as principais causas de incapacidade nos jovens.

Para Fore, é imperativo priorizar a promoção da saúde mental, a prevenção de tais problemas e a prestação de assistência em tratamento e reabilitação. Também é necessário combater o estigma e tabus em relação às doenças mentais, a fim de facilitar a demanda por tratamento e apoio.

Por fim, a carta reconhece que crianças e jovens já criaram movimentos em todo o mundo em busca de soluções para superar os desafios que eles – e seus pares – enfrentam, e pede que os líderes mundiais sigam seu exemplo.

“As crianças e os jovens de hoje estão assumindo a liderança em ações urgentes e se capacitando para aprender sobre o mundo ao seu redor e moldá-lo de acordo com suas necessidades”, escreve Fore. “Você está se posicionando agora e nós estamos ouvindo.”