UNICEF condena morte de jovens associada a grupo rebelde na República Centro-Africana

Dois adolescentes de 17 e 19 anos morreram apedrejados enquanto agiam sob as ordens de um oficial do Séléka. UNICEF pede que autoridades estabeleçam a lei, a ordem e a paz no país para proteção de todos os civis.

Na vilarejo de Mélé, República Centro-Africana, somente metade das crianças vão à escola devido ao conflito. Foto: UNICEF/Pierre Holtz

Na vilarejo de Mélé, República Centro-Africana, somente metade das crianças vão à escola devido ao conflito. Foto: UNICEF/Pierre Holtz

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) condenou o recrutamento e a morte de dois jovens de 17 e 19 anos na República Centro-Africana (RCA), associada com a coalizão rebelde Séléka, e pediu a libertação de todas as crianças que tenham ligações com o grupo.

“De acordo com a resolução 1612 do Conselho de Segurança, o recrutamento e uso de crianças em conflitos armados é uma das seis violações mais graves dos direitos da criança, e aqueles que cometem tais crimes devem ser responsabilizados”, disse Marixie Mercado, porta-voz do UNICEF, a jornalistas em Genebra.

De acordo com informações disponíveis, uma multidão apedrejou até a morte os adolescentes de 17 e 19 anos que tentavam roubar um veículo em um bairro de Bangui, capital da RCA. Os dois agiam sob o comando de um oficial Séléka, conhecido como “O Coronel”, que escapou da multidão. O incidente ocorreu no último dia 24 de abril.

Em Genebra, Mercado confirmou que as vítimas foram desmobilizadas do movimento rebelde Convenção dos Patriotas para a Justiça e Paz (CPJP) e faziam parte de um grupo de 64 crianças e jovens que mudaram-se para Bangui, quando o Séléka lançou uma ofensiva no país em dezembro de 2012.

Metade da população da RCA — cerca de 2,3 milhões — é direta ou indiretamente afetada pela insegurança e pelo conflito, com a maioria das escolas fechadas, centros de saúde e nutrição saqueados e danificados, e a água contaminada, afirmou o UNICEF na sexta-feira (10).

“O UNICEF chama todas as autoridades a estabelecerem a lei, a paz e a ordem o mais rápido possível para proteger os civis, especialmente mulheres e crianças, e os trabalhadores humanitários, garantindo que eles consigam chegar às populações necessitadas e que seus suprimentos não sejam saqueados”, ressaltou Mercado.