UNICEF capacita monitores de espaços para crianças venezuelanas em Roraima

Em Roraima, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) promoveu no final de semana (29) uma formação para monitores que trabalham em espaços de lazer para crianças e adolescentes venezuelanos. A iniciativa reuniu em Boa Vista profissionais e voluntários de Pacaraima e da capital. Participantes aprenderam noções de primeiros socorros e prevenção de acidentes, além de receber informações sobre direitos previstos na lei brasileira.

Um centro de recepção e documentação inaugurado pelo governo federal com apoio do Sistema ONU Brasil na cidade de Pacaraima está há um mês identificando e emitindo documentos para pessoas vindas da Venezuela. Foto: ACNUR/Reynesson Damasceno

Um centro de recepção e documentação inaugurado pelo governo federal com apoio do Sistema ONU Brasil na cidade de Pacaraima está há um mês identificando e emitindo documentos para pessoas vindas da Venezuela. Foto: ACNUR/Reynesson Damasceno

Em Roraima, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) promoveu no final de semana (29) uma formação para monitores que trabalham em espaços de lazer para crianças e adolescentes venezuelanos. Iniciativa reuniu em Boa Vista profissionais e voluntários de Pacaraima e da capital. Participantes aprenderam noções de primeiros socorros e prevenção de acidentes, além de receber informações sobre direitos previstos na lei brasileira.

O objetivo da oficina foi capacitar quem trabalha com meninos e meninas estrangeiros em um contexto de emergência. O encontro também visou conectar esses colaboradores à rede de proteção local. Em Roraima, existem seis Espaços da Criança. São locais seguros, adaptados às necessidades dos jovens, onde os venezuelanos podem realizar atividades, brincar, se comunicar e aprender novas habilidades. Por meio das atividades recreativas, esses centros têm como finalidade promover a recuperação emocional e identificar casos de violência.

No evento, a equipe do UNICEF ouviu relatos de violações de direitos, como casos de exploração de crianças e adolescentes para a mendicância.

“É importante que o Espaço da Criança seja visto, por todos os que convivem no abrigo, não apenas como um local que promove atividades, mas como uma referência de segurança e proteção para crianças”, ressaltou a consultora do UNICEF na área de proteção, Jaqueline Ferreira.

Durante a capacitação, os monitores foram orientados sobre como identificar os sinais dados pelas crianças e pelos adolescentes que indicam que algo não vai bem – como a falta de apetite e comportamentos violentos. O UNICEF também abordou os impactos psicossociais causados pela imigração, que podem atrapalhar o desenvolvimento dos pequenos venezuelanos.

Said Guaramata, de 19 anos, foi um dos 35 participantes da capacitação. Ele, que é da cidade de Puerto La Cruz e está em Roraima há sete meses, atua como monitor no abrigo Nova Canaã. “Uma das coisas novas que aprendi hoje é que temos que entender as crianças, conversar, consolar e, mais que tudo, dar amor. Tudo o que aprendemos me deu mais energia pra trabalhar.”

Parte da palestra foi dedicada a explicar para os monitores as leis brasileiras que tratam dos direitos da criança e do adolescente e quais órgãos fazem parte da rede de proteção, como postos de saúde, conselhos tutelares, Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e Centros de Referência de Assistência Social (Cras).

“A ideia é que os monitores se sintam fortes e empoderados para trocar com essa rede local, para agir se for necessário. A gente espera que não seja, mas às vezes é, e eles precisam estar preparados. Eles precisam ser esse ponto de apoio dentro dos abrigos”, acrescentou Jaqueline.

Essa foi a primeira de uma série de capacitações que serão realizadas com o grupo sobre temas específicos, como proteção, saúde e educação. Além dos monitores que já atuavam nos espaços, o especialista do UNICEF José Vasquéz explica que a atividade serviu para treinar novos voluntários. O objetivo da agência da ONU é colocar um Espaço da Criança em cada abrigo onde vivem meninas e meninos.

Norys Menezes, de 48 anos, é uma das novas colaboradoras. Moradora do abrigo Rondon 1, é lá que ela vai trabalhar quando o espaço for inaugurado.

“Sou professora e trabalhei a vida toda com educação de crianças em El Tigre (no estado Anzoátegui). Achei a oficina muito interessante e participativa porque foram compartilhadas experiências. Achei que aprender sobre as leis brasileiras e sobre a finalidade do trabalho que vamos fazer foi muito importante. Foi muito produtivo e estou ansiosa para começar”, conta a professora.

Os Espaços da Criança são um projeto implementado pelo UNICEF em parceria com as ONGs Visão Mundial e Fraternidade – Federação Humanitária Internacional.