UNICEF: batalha em cidade portuária do Iêmen ameaça 300 mil crianças

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Ofensiva contra Hodeida, no Iêmen, ameaça menores de idade vivendo na cidade e também milhões de outras pessoas — 99% dos alimentos e dos remédios consumidos no país são importados e, dessas mercadorias, 70% passam pelo município portuário.

Menino olha ruínas de escola destruída em junho de 2015 em Saada, no Iêmen. Foto: UNOCHA

Menino olha ruínas de escola destruída em junho de 2015 em Saada, no Iêmen. Foto: UNOCHA

A chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore, expressou nesta semana (12) “profunda preocupação” com relatos de que militares dos Emirados Árabes Unidos planejam um ataque à cidade portuária de Hodeida, no Iêmen. Localidade é controlada por rebeldes Houthi que enfrentam uma coalizão da Arábia Saudita e países aliados. Eventual batalha poderia colocar em risco 300 mil crianças que moram no município litorâneo.

Segundo o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 99% dos alimentos e dos remédios consumidos no Iêmen são importados. Dessas mercadorias, 70% passam por Hodeida. “Sete milhões de pessoas dependem completamente, todos os meses, de comida (de organizações humanitárias) e mais de 7 milhões de outra (forma de) assistência”, afirmou o chefe do organismo Mark Lowcock.

De acordo com o especialista, se Hodeida fechar por qualquer intervalo de tempo ou não funcionar adequadamente, as consequências seriam “catastróficas”. Desde 2015, o conflito armado no território iemenita destruiu o país e deixou 75% da população precisando de assistência humanitária, incluindo cerca de 11 milhões de menores de idade.

O eventual fechamento de Hodeida também afetaria o fornecimento de combustível. Na avaliação de Henrietta Fore, sem o insumo, “crítico para o bombeamento de água, o acesso das pessoas à água potável diminuirá ainda mais, levando a casos ainda mais agudos de diarreia aquosa e cólera”. Entre crianças pequenas, ambos os problemas de saúde podem ser fatais.

Fore pediu urgentemente a todas as partes do conflito e a todos que têm influência sobre elas para “colocar a proteção das crianças acima de todas as considerações”. “É necessário dar uma chance à paz. As crianças do Iêmen não merecem nada menos (do que isso)”, concluiu.


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