UNICEF: apenas 40% das crianças no mundo recebem amamentação exclusiva no início da vida

Apenas quatro em cada dez bebês no mundo são alimentados exclusivamente com o leite materno nos primeiros seis meses de vida, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A estatística foi divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nesta quinta-feira (1º), data em que tem início a Semana Mundial de Amamentação.

Nos países de renda média e alta, 23,9% das crianças são alimentadas somente com o leite da mãe em seu primeiro semestre após o nascimento. No Brasil, o índice foi estimado em 38,6%, de acordo com o UNICEF e a OMS.

Família brasileira durante a amamentação do recém-nascido. Foto: UNICEF/Libório

Família brasileira durante a amamentação do recém-nascido. Foto: UNICEF/Libório

Apenas quatro em cada dez bebês no mundo são alimentados exclusivamente com o leite materno nos primeiros seis meses de vida, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A estatística foi divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nesta quinta-feira (1º), data em que tem início a Semana Mundial de Amamentação.

De acordo com a agência da ONU, as nações ricas registram as menores taxas de amamentação exclusiva para o início da vida de meninos e meninas. Nos países de renda média e alta, 23,9% das crianças são alimentadas somente com o leite da mãe em seu primeiro semestre após o nascimento. O índice representa uma queda na comparação com 2012, quando a taxa chegava a 28,7%. No Brasil, o índice foi estimado em 38,6%, de acordo com o UNICEF e a OMS.

As estimativas globais do dois organismos foram atualizadas em julho de 2017. No caso do Brasil, o relatório mais recente sobe aleitamento exclusivo a que as agências tiveram acesso data de 2006.

A amamentação exclusiva promove o desenvolvimento saudável do cérebro em bebês e crianças pequenas, protege as crianças contra infecções e diminui o risco de obesidade e de outras doenças. A prática também reduz custos de assistência médica no futuro e protege as mães lactantes contra o câncer de ovário e de mama.

“Apesar dos benefícios da amamentação, os locais de trabalho em todo o mundo estão negando um apoio muito necessário às mães. Precisamos investir muito mais em licença parental remunerada e em apoio à amamentação em todos os locais de trabalho para aumentar as taxas de amamentação globalmente”, afirmou a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore.

Nos países menos desenvolvidos, o índice de amamentação exclusiva no primeiro semestre de vida está acima da média global de cerca de 40%, alcançando os 50,8%. As maiores taxas foram encontradas em Ruanda (86,9%), Burundi (82,3%), Sri Lanka (82%), Ilhas Salomão (76,2%) e Vanuatu (72,6%).

Pesquisas coletadas pelo UNICEF também mostram que bebês em áreas rurais têm mais probabilidade do que os nascidos em zonas urbanas de ter uma dieta composta exclusivamente por leite materno no início da vida.

Até 2025, a Organização Mundial da Saúde quer garantir que pelo menos metade de todas as crianças no mundo sejam alimentadas exclusivamente com leite materno durante os seus seis primeiros meses de vida.


Amamentação ou aleitamento materno exclusivo: Os bebês de até seis meses de idade devem ser alimentados somente com leite materno. O leite materno tem tudo de que o bebê precisa até o sexto mês de vida. Quando recebe só leite materno, a criança não precisa consumir chá, sucos ou água.


 

“Os benefícios de saúde, sociais e econômicos da amamentação – tanto para a mãe quanto para a criança – são bem estabelecidos e aceitos em todo o mundo. No entanto, quase 60% das crianças do mundo estão perdendo os seis meses recomendados de amamentação exclusiva”, ressaltou Henrietta.

Uma pesquisa publicada em 2016 no periódico The Lancet apontava que a universalização do aleitamento exclusivo — ou seja, ter todas as crianças do mundo se alimentando somente com o leite materno no início da vida — poderia prevenir 823 mil mortes por ano entre meninos e meninas com menos de cinco anos de idade, além de evitar 20 mil mortes por câncer de mama anualmente.

Outro estudo da mesma publicação científica estima que, todos os anos, os países perdem 302 bilhões de dólares por causa de prejuízos cognitivos associados às lacunas no aleitamento exclusivo. O valor representa as perdas econômicas na comparação com um cenário onde a amamentação exclusiva seria universal.

Amamentação na 1ª hora de vida

O UNICEF alerta ainda para o número reduzido de bebês que são amamentados na primeira hora de vida. Em 2018, menos da metade das crianças em todo o mundo – 43% – foi amamentada nos 60 minutos após o parto.

De acordo com a agência da ONU, o contato imediato do bebê com a mãe, inclusive por meio da pele, bem como o início precoce da amamentação mantêm o bebê aquecido e fortalece o seu sistema imunológico. A interação na sequência do nascimento também promove a união entre mãe e filho, aumenta a produção de leite materno e amplia as chances de a mãe continuar amamentando exclusivamente.

O leite materno é mais do que apenas um alimento para os bebês. É também um medicamento potente para a prevenção de doenças, adaptado às necessidades de cada criança. O “primeiro leite” – ou colostro – é rico em anticorpos para proteger os bebês de doenças e da morte.

Faltam políticas trabalhistas

O UNICEF aponta ainda para lacunas nas políticas trabalhistas capazes de estimular o aleitamento exclusivo — apenas 12% dos países oferecem uma licença-maternidade remunerada e adequada, segundo a agência da ONU e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O mais recente caderno de recomendações do UNICEF sobre políticas em prol das famílias recomenda pelo menos seis meses de licença remunerada combinada — isto é, dividida entre os responsáveis pela criança. Desse período total de licença, 18 semanas devem ser reservadas às mães.

Na visão do organismo das Nações Unidas, os governos e as empresas devem se esforçar para conceder, no mínimo, nove meses de licença remunerada combinada. Isso porque a disponibilidade de uma licença-maternidade mais longa significa maiores chances de amamentação, de acordo com um estudo da revista especializada Breastfeeding Medicine. A pesquisa descobriu que mulheres com seis meses ou mais de licença-maternidade tinham pelo menos 30% mais probabilidades de manter qualquer forma de amamentação, pelo menos nos seis primeiros meses.

O UNICEF e a OIT mostram ainda que as mulheres no mercado de trabalho não estão recebendo apoio suficiente para continuar a amamentar. Apenas 40% das mulheres com recém-nascidos têm os benefícios mais básicos associados à maternidade em seu local de trabalho. Essa disparidade aumenta entre os países da África, onde somente 15% das mulheres com recém-nascidos têm algum benefício para apoiar a continuidade do aleitamento materno.

O Fundo da ONU para a Infância aponta que o aleitamento materno no trabalho funciona. Segundo o UNICEF, pausas regulares durante o horário de trabalho — para acomodar a amamentação ou permitir a ordenha do leite materno — permitem que as mães continuem amamentando suas crianças exclusivamente por seis meses. Outra medida importante é o oferecimento de um ambiente propício e de instalações adequadas para a amamentação.


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