UNICEF alerta sobre impactos de eventual suspensão dos serviços de saúde para crianças e gestantes

Campanha de vacinação contra Sarampo em Salvador, outubro de 2019. Foto: Foto: Jefferson Peixoto/Secom (Fotos Públicas)

O UNICEF está alertando sobre o impacto potencial caso a crise da pandemia do coronavírus cause interrupções nos serviços de atenção primária de saúde direcionados a crianças menores de 5 anos e gestantes. Por este motivo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) recomenda aos governos para que crianças e mulheres grávidas sejam priorizadas nos serviços de saúde e que todos os serviços de cuidado pré-natal e neonatal, inclusive os programas de vacinação, sejam mantidos e adaptados às novas necessidades causadas pela pandemia, sempre respeitando os protocolos de segurança de proteção ao coronavírus.

O Fundo lembra que será crucial assegurar que nenhuma criança e nenhuma gestante fiquem privadas de acessar os serviços de saúde de qualidade devido à COVID-19, evitando-se mortes adicionais por causa de falta de acesso a estes serviços. Também deve estar garantido o acesso aos serviços de testagem e tratamento do HIV, sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis. O UNICEF sugere ainda que sejam garantidas as condições adequadas de sobrevivência, com apoio financeiro e de distribuição de itens básicos.

No Brasil, o UNICEF está trabalhando junto com os governos estaduais e municipais para fortalecer os serviços direcionados a estas populações. Entre as ações, está a capacitação de cerca de 1,9 mil municípios da Amazônia e do Semiárido para que adaptem suas políticas e seus serviços públicos – entre eles, saúde e nutrição – para continuar atendendo com prioridade crianças e gestantes.

No contexto brasileiro, em que o Sistema Único de Saúde (SUS) assegura acesso universal e políticas que levam atenção básica a territórios vulneráveis – como é o caso da Estratégia de Saúde da Família –, o UNICEF entende que medidas como o distanciamento social são fundamentais para a mitigação do impacto da pandemia do coronavírus, inclusive entre as crianças e os adolescentes.

O Fundo lembra que o distanciamento físico precisa ser adaptado às realidades nacionais e subnacionais, levando em consideração as condições das populações afetadas – como comunidades vulneráveis dos grandes centros urbanos, pequenos municípios rurais e campos de refugiados – e a capacidade da rede hospitalar, sempre considerando o melhor interesse da infância, como estabelece a Convenção sobre os Direitos da Criança. Nessas áreas o UNICEF considera que é essencial assegurar uma combinação de testagem em grande escala, distanciamento social, monitoramento de contágio, promoção de higiene e restrição de movimento.