UNICEF alerta para desnutrição crônica de crianças ianomâmis

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e parceiros realizam nesta segunda e terça-feira (28 e 29) em Brasília (DF) o Seminário Nacional sobre os Determinantes Sociais da Desnutrição de Crianças Yanomami – e apresentam uma pesquisa sobre o tema.

A pesquisa teve como foco o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami e foi realizada nas aldeias do Polo Base de Auaris, em Roraima, e do Polo Base de Maturacá, no Amazonas. Os dados mostram que 81,2% das crianças menores de 5 anos pesquisadas têm baixa estatura para a idade (desnutrição crônica), 48,5% têm baixo peso para a idade (desnutrição aguda) e 67,8% estão anêmicas.

Criança ianomami. Foto: Flickr/Sam valadi (CC)

Criança ianomami. Foto: Flickr/Sam valadi (CC)

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e parceiros realizam nesta segunda e terça-feira (28 e 29) em Brasília (DF) o Seminário Nacional sobre os Determinantes Sociais da Desnutrição de Crianças Yanomami – e apresentam uma pesquisa sobre o tema.

Os dados revelam que oito em cada dez crianças menores de 5 anos pesquisadas apresentam desnutrição crônica. O estudo, financiado e requisitado pelo UNICEF, foi realizado em parceria com Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN) do Ministério da Saúde, e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

A pesquisa teve como foco o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami e foi realizada nas aldeias do Polo Base de Auaris, em Roraima, e do Polo Base de Maturacá, no Amazonas. Os dados mostram que 81,2% das crianças menores de 5 anos pesquisadas têm baixa estatura para a idade (desnutrição crônica), 48,5% têm baixo peso para a idade (desnutrição aguda) e 67,8% estão anêmicas.

A idade da criança se mostrou importante ao analisar a desnutrição. O levantamento mostra um forte aumento dos índices de desnutrição no período do desmame da criança e introdução da alimentação complementar.

O estudo associou alguns fatores, como o contato com alimentos ultraprocessados pelas comunidades indígenas, que poderiam estar contribuindo para o panorama atual. Entre os grupos pesquisados, foi observado oferecimento de alimentos pobres em nutrientes para as crianças. Além disso, o acesso a esses produtos vem contribuindo para aumentar a quantidade de lixo nas aldeias, contribuindo também para a contaminação do meio ambiente.

O estudo aponta, ainda, que a prevalência de sobrepeso entre crianças ianomâmis está abaixo de 2%, mas 20% delas já estavam em risco de sobrepeso associado a algum tipo de desnutrição, como deficiências em vitaminas e nutrientes essenciais.

Seminário discute determinantes da desnutrição e propostas para revertê-la

Para contribuir com estratégias de mitigação da situação nutricional das crianças ianomâmis, o UNICEF reúne lideranças indígenas, representantes do poder público, parceiros e pesquisadores em Brasília, nos dias 28 e 29 de outubro, para o “Seminário Nacional sobre os Determinantes Sociais da Desnutrição de Crianças Yanomami”.

O evento aborda os fatores sociais que contribuem para a desnutrição indígena considerando aspectos como acesso à renda, benefícios sociais e transformações na cultura alimentar indígena.

“O Brasil saiu de um cenário de desnutrição crônica infantil para um cenário de aumento acelerado do sobrepeso. Mesmo assim, ainda há grupos vulneráveis que sofrem com o aumento do quadro de desnutrição, como no caso das crianças indígenas. Precisamos estudar como mitigar essa situação e gerar ações nas políticas públicas. Por meio do Seminário, o UNICEF busca unir parceiros estratégicos para abordar o tema a partir do olhar da própria comunidade ianomâmi”, afirma Cristina Albuquerque, chefe de Saúde do UNICEF no Brasil.